Samsung projeta cenário desafiador para chips
A Samsung Electronics divulgou nesta quinta-feira, 30 de julho de 2026, que a escassez global de semicondutores deve persistir até 2028, contrariando expectativas anteriores de recuperação mais rápida. A empresa sul-coreana também anunciou a assinatura de acordos de fornecimento de longo prazo com clientes-chave, visando garantir capacidade de produção em meio à demanda crescente.
O relatório trimestral da Samsung indica que a oferta de chips deve permanecer apertada nos próximos dois anos, ampliando o prazo estimado anteriormente, que era até 2026. "Acreditamos que a normalização do mercado de semicondutores ocorrerá apenas em 2028", afirmou o vice-presidente da divisão de semicondutores da Samsung, Kim Hyun-soo, em teleconferência com analistas. A previsão é baseada em investimentos insuficientes em novas fábricas e na complexidade crescente das cadeias de suprimentos.
A Samsung, maior fabricante de chips de memória do mundo, reportou que a demanda por seus produtos continua superando a oferta, especialmente em segmentos como inteligência artificial, data centers e veículos elétricos. A empresa espera que a receita da divisão de semicondutores cresça 15% em 2026, impulsionada por preços mais altos. Segundo o relatório, a produção global de chips cresceu apenas 3% em 2025, ante 10% previstos, evidenciando o aperto na oferta.
Acordos de longo prazo como estratégia
Para mitigar os efeitos da escassez, a Samsung anunciou a assinatura de contratos plurianuais com empresas de tecnologia dos setores automotivo e de computação em nuvem. Os acordos preveem volumes fixos de fornecimento e reajustes de preços atrelados a índices de custos. "Esses acordos nos permitem planejar investimentos com mais segurança e oferecer estabilidade aos nossos parceiros", explicou Kim Hyun-soo.
Especialistas do setor avaliam que a iniciativa da Samsung reflete uma tendência de verticalização e contratos de longo prazo na indústria de chips. "A escassez forçou as empresas a repensar suas estratégias de suprimento", comentou a analista da consultoria Gartner, Maria Silva. "Acordos plurianuais se tornaram essenciais para garantir acesso a componentes críticos." A Samsung já firmou contratos com cinco grandes clientes, incluindo montadoras e provedores de nuvem, que representam cerca de 30% de sua capacidade de produção de chips lógicos.
Impacto nos consumidores e na economia
A persistência da crise de chips deve manter os preços de eletrônicos elevados e atrasar o lançamento de novos produtos. A Samsung alertou que a produção de smartphones e eletrodomésticos inteligentes continuará limitada. No Brasil, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) estima que a escassez reduza a produção do setor em 12% neste ano, com impacto direto no varejo e no consumo.
O governo brasileiro já sinalizou que pretende atrair investimentos em fabricação de chips, mas analistas apontam que novos projetos levam anos para ficar prontos. A Samsung, por sua vez, está expandindo sua fábrica em Campinas (SP), com previsão de início de operação em 2028. A unidade brasileira será focada em chips para o mercado automotivo e de eletrônicos de consumo.
Perspectivas futuras
A Samsung projeta que a demanda global por semicondutores dobrará até 2030, impulsionada pela eletrificação de veículos e pela adoção de inteligência artificial. Para atender a esse crescimento, a empresa planeja investir US$ 35 bilhões em novas instalações nos próximos cinco anos. "Estamos comprometidos em expandir nossa capacidade de produção e inovar em processos", afirmou Kim Hyun-soo.
Contudo, a incerteza geopolítica, especialmente em relação a Taiwan e à China, representa um risco adicional. A Samsung mantém uma estratégia de diversificação geográfica, com fábricas na Coreia do Sul, Estados Unidos e Brasil. A empresa também investe em pesquisa para desenvolver novas arquiteturas de chips que reduzam a dependência de materiais críticos.



