O reality show "As Patroas", lançado por Viih Tube e Eliezer em 30 de junho, durou menos de 24 horas no ar. A proposta de transformar empregados domésticos em competidores por um prêmio de R$ 20 mil desencadeou uma reação em cadeia: críticas nas redes sociais, investigação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e, por fim, a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) no valor de R$ 350 mil por dano moral coletivo.
Como funcionava o reality
Onze funcionários que trabalhavam na casa do casal – entre babás, motorista e outros empregados domésticos – participavam de provas, desafios e missões que rendiam pontos e recompensas em dinheiro. Não havia eliminações tradicionais: o vencedor seria quem acumulasse a maior pontuação ao longo dos episódios. Além do prêmio principal, os participantes podiam ganhar quantias extras e benefícios. Uma das regras, porém, gerou controvérsia: todos os funcionários eram obrigados a comparecer nos dias de gravação, sob pena de eliminação automática. Para a deputada federal Erika Hilton, que representou o caso ao MPT, isso contradizia a alegada participação voluntária.
Provas polêmicas e reações
A primeira prova consistia em encontrar moedas escondidas pela casa. Algumas estavam em áreas comuns, outras em locais degradantes: um lago artificial, lixeiras de banheiro e até dentro de vasos sanitários. O motorista Anderson, ao achar moedas no vaso, exclamou: "Misericórdia, né? Dentro do vaso? Pelo amor de Deus, não é possível." Em seguida, encontrou mais moedas na lixeira, comentando: "Eu peguei de dentro do lixo. Cheio de papel, cheio de bosta." O trecho viralizou e tornou-se símbolo das críticas ao programa. Outro desafio envolvia uma missão secreta: uma funcionária sorteada deveria inserir a palavra "esdrúxulo" numa conversa sem ser percebida. Se conseguisse, ganhava R$ 2 mil; caso contrário, o valor era dividido entre os colegas.
Recompensas e benefícios trabalhistas
As recompensas iam além do dinheiro. A vencedora da primeira prova, Vilma (babá dos filhos do casal), além de R$ 1 mil e pontuação, podia escolher entre: uma sessão de massagem, um jantar em restaurante ou começar a jornada de trabalho uma hora mais tarde durante uma semana. A mistura de prêmios em dinheiro com vantagens na rotina de trabalho levantou questionamentos sobre a linha entre entretenimento e exploração laboral.
Desfecho: TAC e encerramento
Menos de 24 horas após a estreia, o primeiro episódio foi removido do YouTube. O MPT abriu investigação e, em 29 de novembro, Viih Tube e Eliezer assinaram um TAC. Pelo acordo, comprometeram-se a encerrar definitivamente o reality, retirar todos os conteúdos considerados irregulares e pagar R$ 350 mil a título de dano moral coletivo. O caso reacendeu o debate sobre direitos trabalhistas, dignidade dos empregados domésticos e os limites da exposição nas redes sociais.



