O ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, manifestou forte oposição ao plano de seu sucessor, Gianni Infantino, de vender uma participação na Copa do Mundo a investidores externos. Em declarações recentes, Blatter afirmou que a iniciativa representa um passo excessivo na comercialização do futebol, esporte que, segundo ele, pertence ao povo e não a instituições ou indivíduos.
Contexto da proposta
O plano em questão, revelado no início deste ano, prevê a venda de uma participação minoritária nos direitos comerciais da Copa do Mundo para investidores privados, como fundos soberanos e grupos de private equity. A Fifa busca levantar recursos para financiar seus projetos de desenvolvimento e expandir a receita do torneio, que já é um dos eventos esportivos mais lucrativos do mundo. No entanto, críticos argumentam que a medida pode comprometer a independência da entidade e aumentar a influência de interesses comerciais sobre as decisões esportivas.
A crítica de Blatter
Blatter, que presidiu a Fifa por 17 anos até 2015, não poupou palavras ao comentar a proposta. Em entrevista, ele declarou: “O futebol não pertence a nenhum indivíduo nem a nenhuma instituição. Ele pertence ao povo.” Para ele, vender uma fatia do principal torneio do esporte a investidores externos seria um erro estratégico e ético. “Isso levaria a comercialização do esporte longe demais”, completou.
O ex-dirigente, que enfrentou controvérsias durante seu mandato, incluindo acusações de corrupção que culminaram em sua saída, vê a atuação de Infantino como uma continuidade da ênfase excessiva em aspectos financeiros. Blatter já havia criticado anteriormente a gestão de Infantino, especialmente em relação ao aumento do número de seleções na Copa do Mundo e à realização do torneio a cada dois anos.
Implicações para o futebol
A venda de participação na Copa do Mundo poderia alterar o equilíbrio de poder dentro da Fifa. Investidores privados teriam assento em conselhos e poderiam influenciar decisões sobre patrocínios, transmissão e até mesmo o formato do torneio. Críticos temem que isso priorize o lucro em detrimento do desenvolvimento do esporte em países menos favorecidos. A Fifa, por sua vez, defende que os recursos adicionais permitirão investir em infraestrutura, treinamento e projetos sociais.
Reações de outros ex-dirigentes
Blatter não é o único ex-dirigente a se opor ao plano. Outros nomes ligados à história da Fifa expressaram preocupações similares, embora sem o mesmo destaque. A oposição de Blatter, no entanto, carrega peso simbólico, dado seu longo período à frente da entidade. Sua crítica pode influenciar a opinião pública e pressionar Infantino a repensar a estratégia.
O futuro da proposta
Até o momento, a Fifa não confirmou oficialmente a venda, mas sinalizou que está em conversações avançadas com potenciais investidores. A decisão final deve ser anunciada após a conclusão das negociações, possivelmente ainda este ano. Enquanto isso, a polêmica promete continuar, com defensores e críticos debatendo os rumos do futebol mundial. Para Blatter, a mensagem é clara: o esporte não deve ser tratado como mercadoria.



