Oncoclínicas: recuperação extrajudicial de R$ 5,1 bi e crise
Oncoclínicas: recuperação extrajudicial de R$ 5,1 bi

A Oncoclínicas protocolou na segunda-feira um plano de recuperação extrajudicial para reestruturar um passivo de R$ 5,1 bilhões, abrangendo 795 credores. A rede de clínicas oncológicas busca reorganizar dívidas financeiras com bancos, mercado de capitais, fornecedores de medicamentos e valores de fusões e aquisições, sem incluir custos operacionais correntes ou débitos com médicos e enfermeiros. A empresa descarta impactos nos pacientes, apesar de, no auge da crise, ter suspendido atendimentos e sessões de quimioterapia, radioterapia e imunoterapia por falta de medicamentos.

Credores e adesão ao plano

No fato relevante enviado ao mercado, a Oncoclínicas informou que credores detentores de 37% da dívida abrangida já aderiram ao plano, patamar suficiente para iniciar o processo. Nos próximos 90 dias, a empresa precisa obter aprovação de 50% dos credores para homologação judicial. Entre os principais credores, a securitizadora Opea lidera com R$ 1,68 bilhão em debêntures, seguida pelo Santander (R$ 114 milhões em empréstimo), Pentágono S.A DTVM (R$ 64,8 milhões em debêntures) e Banco Votorantim (R$ 44,3 milhões em títulos de dívida). A distribuidora OncoProd possui R$ 1,02 bilhão a receber, e Opea, Pentágono DTVM e Oliveira Trust concentram mais de R$ 3 bilhões em créditos.

Causas da crise e medidas

No processo levado ao Tribunal de Justiça de São Paulo, a Oncoclínicas cita "fatores internos e externos" como expansão acelerada e deterioração macroeconômica, com juros elevados. A inadimplência da Unimed Ferj (R$ 861 milhões) e a liquidação extrajudicial do Banco Master — onde a empresa investiu R$ 478,2 milhões em CDBs — também agravaram o quadro. A alavancagem financeira atingiu 4,3 vezes o Ebitda, acima do limite contratual de 3,5 vezes. Em junho, terminou a proteção de 60 dias contra credores obtida em abril, após a empresa registrar prejuízo de R$ 3,67 bilhões em 2025. O plano prevê possíveis injeção de recursos por acionistas, conversão de dívidas em ações, renegociação de débitos e ampliação de prazos, a serem detalhados em 45 dias.

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Impacto operacional e futuro

"A empresa ganha fôlego com a recuperação, que cobre só a dívida financeira, sem a operação do dia a dia. A empresa sinaliza ao mercado que continua funcionando, e que não quer repetir o que aconteceu em março", analisa Caroline Sanchez, da Levante Inside Corp. A companhia rescindiu contratos para abertura de clínica em São Paulo e construção de hospital em Goiânia. Paralelamente, acionistas minoritários pressionam por oferta pública de aquisição (OPA) de cerca de R$ 6 bilhões, após a gestora Centaurus deter mais de 15% da companhia. A CVM analisa o caso. "Se a CVM entender que a OPA precisa ser feita, isso não interfere na recuperação extrajudicial, e vice-versa, mas obviamente há um impacto financeiro", afirma o advogado João Basilio.

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