O Nubank, um dos maiores bancos digitais do mundo, anunciou nesta quinta-feira (15) uma reorganização significativa de suas operações na América Latina. A fintech promoveu Livia Chanes ao cargo de CEO para a região, que abrange Brasil, México e Colômbia. A executiva, que antes liderava a área de produtos e tecnologia, assume a posição com a missão de acelerar o crescimento e melhorar a eficiência operacional.
Mudanças na liderança e estrutura
Com a promoção, Livia Chanes substitui o cargo anteriormente ocupado por David Vélez, fundador e CEO global do Nubank, que estava à frente das operações latino-americanas de forma interina. A reestruturação visa descentralizar as decisões e dar maior autonomia às unidades regionais. Segundo comunicado oficial, a mudança entra em vigor imediatamente.
“A Livia tem um histórico impressionante de inovação e execução, e estou confiante de que ela liderará nossa expansão na América Latina com a mesma energia e foco no cliente que nos trouxeram até aqui”, afirmou David Vélez, em nota. A executiva, por sua vez, destacou o potencial da região: “Temos oportunidades imensas de levar serviços financeiros acessíveis a milhões de pessoas que ainda estão excluídas do sistema tradicional.”
Estratégia de crescimento e números
A reorganização ocorre em um momento de forte crescimento do Nubank. A empresa, que possui mais de 100 milhões de clientes na América Latina, sendo 90 milhões só no Brasil, busca consolidar sua presença em mercados como México e Colômbia, onde a penetração de serviços bancários digitais ainda é baixa. No primeiro trimestre de 2026, a fintech reportou receita líquida de R$ 8,5 bilhões, um aumento de 35% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Livia Chanes terá a responsabilidade de impulsionar a rentabilidade e a eficiência, especialmente em um cenário de juros elevados na região. A executiva já liderou iniciativas como o lançamento do Nubank Ultravioleta e a expansão do portfólio de investimentos. Com a nova estrutura, a empresa espera reduzir custos operacionais em 15% até o final de 2027, por meio de automação e otimização de processos.
Impacto no mercado e concorrência
A movimentação do Nubank ocorre em um ambiente competitivo acirrado, com a entrada de novos players digitais e a reação dos bancos tradicionais. No México, o banco digital enfrenta concorrentes como o BBVA e o Banorte, que também investem em tecnologia. Na Colômbia, o Nubank busca se diferenciar com produtos de crédito e pagamentos.
Analistas do mercado financeiro veem a promoção de Livia Chanes como um sinal de maturidade da empresa. “O Nubank está deixando de ser uma startup para se tornar uma instituição financeira consolidada. A nomeação de um CEO regional mostra que a empresa quer dar mais foco às operações locais, sem perder a visão global”, comentou Maria Silva, analista do Banco XP. A expectativa é que a nova liderança impulsione o valor das ações do Nubank, que subiram 2,3% no pregão desta quinta-feira.
Próximos passos
Livia Chanes anunciou que suas prioridades incluem a expansão da base de clientes no México e na Colômbia, o lançamento de novos produtos de crédito e a melhoria da experiência do usuário. A empresa também planeja investir em inteligência artificial para personalizar ofertas e reduzir fraudes. A reorganização não deve afetar o quadro de funcionários, que atualmente conta com 8 mil colaboradores na região.



