Mulheres avançam, mas seguem minoria no mercado financeiro
Mulheres avançam, mas seguem minoria no mercado financeiro

As mulheres têm conquistado mais espaço no mercado financeiro brasileiro, mas ainda representam uma parcela pequena dos profissionais e investidores. Estudo da XP Inc. divulgado nesta quarta-feira (5) mostra que, apesar dos avanços, a participação feminina segue abaixo de 30% em cargos de liderança e na base de investidores ativos.

Participação feminina ainda é baixa

De acordo com a pesquisa, as mulheres ocupam apenas 28% dos cargos de liderança em instituições financeiras no Brasil. Entre os investidores que usam plataformas digitais, o percentual é ainda menor: 22%. Os números reforçam a percepção de que o setor financeiro continua sendo predominantemente masculino, especialmente nas posições de maior poder de decisão.

O levantamento ouviu 1.500 profissionais do setor e 2.000 investidores de todas as regiões do país. Entre os profissionais, 65% afirmaram que a diversidade de gênero melhorou nos últimos cinco anos, mas 70% reconhecem que ainda há muito a avançar. "As empresas estão mais conscientes da importância da diversidade, mas as políticas precisam sair do papel e se tornar efetivas", afirma a diretora de Diversidade da XP, Mariana Santos.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Desafios e oportunidades

Os principais obstáculos apontados pelas mulheres no setor são o preconceito implícito, a falta de modelos femininos em cargos altos e a dificuldade de conciliar carreira e vida pessoal. Além disso, a pesquisa indica que 45% das mulheres investidoras dizem não se sentir seguras para tomar decisões financeiras sozinhas, contra 25% dos homens.

Por outro lado, o estudo revela que, quando investem, as mulheres tendem a ter uma postura mais disciplinada e de longo prazo. Elas mantêm seus investimentos por mais tempo e diversificam mais a carteira, o que resulta em rentabilidade média 0,8 ponto percentual maior ao ano em comparação aos homens, segundo dados da plataforma da XP.

Iniciativas para ampliar a presença feminina

Para reverter o cenário, a XP lançou um programa de mentoria exclusivo para mulheres, com meta de formar 500 novas líderes até 2028. A iniciativa inclui bolsas de estudo para certificações financeiras e um canal de denúncias para casos de assédio e discriminação. "Precisamos criar um ambiente em que as mulheres se sintam acolhidas e tenham as mesmas oportunidades de crescimento", destaca Mariana.

Especialistas ouvidos pela reportagem concordam que a diversidade de gênero não é apenas uma questão de justiça social, mas também de performance. Estudos internacionais mostram que empresas com mais mulheres em cargos de liderança têm retorno sobre o patrimônio líquido até 15% maior. No Brasil, o movimento ainda é lento, mas já é possível ver mudanças, como o aumento de 12% no número de mulheres registradas na B3 como investidoras pessoa física no último ano.

"O caminho é longo, mas os dados mostram que estamos no rumo certo. A tendência é que a próxima geração de profissionais do mercado financeiro seja muito mais equilibrada em termos de gênero", conclui a executiva.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar