A MRV&Co assinou um memorando de entendimentos não vinculante com a gestora Mau Capital para a venda de uma participação em ativos da Luggo, sua plataforma de aluguel residencial. O negócio pode chegar a R$ 1,2 bilhão, segundo fontes ouvidas pelo Valor.
Detalhes do acordo
O memorando prevê a alienação de uma fatia dos imóveis da Luggo, que atualmente conta com cerca de 10 mil unidades em operação. A transação envolveria a venda de um portfólio de ativos prontos e em desenvolvimento, com potencial de gerar receitas recorrentes para a MRV. A Mau Capital, especializada em investimentos imobiliários, seria a compradora, enquanto a MRV manteria a operação e gestão dos imóveis.
Segundo uma fonte próxima às negociações, "a MRV busca reduzir seu endividamento e liberar caixa para novos projetos, e a venda de ativos da Luggo é uma das estratégias". A empresa não comentou oficialmente, mas o mercado reage positivamente à notícia.
Impacto financeiro
O valor de R$ 1,2 bilhão representa cerca de 20% do valor de mercado da MRV, que encerrou o segundo trimestre com dívida líquida de R$ 4,5 bilhões. A venda pode reduzir a alavancagem da construtora em 0,3 ponto percentual, segundo estimativas do Credit Suisse. A Luggo, lançada em 2020, tem como objetivo alugar imóveis prontos, com contratos de longo prazo e reajuste anual pelo IPCA.
Analistas do BTG Pactual destacam que "a operação é positiva, pois demonstra a capacidade da MRV de monetizar seus ativos de aluguel, mas ainda há incertezas quanto ao fechamento e ao preço final".
Contexto e perspectivas
A MRV vem buscando alternativas para reduzir sua exposição ao segmento de locação, que exige capital intensivo. Em maio, a empresa já havia vendido uma participação na Luggo para o fundo americano Equity International por R$ 800 milhões. Agora, com a Mau Capital, a expectativa é de concluir a venda até o final do ano, sujeita a due diligence e aprovações regulatórias.
O mercado imobiliário brasileiro atravessa um momento de juros altos, o que pressiona as construtoras a desalavancar. A MRV, maior construtora do país, registrou prejuízo de R$ 200 milhões no primeiro trimestre de 2026. A venda de ativos da Luggo é vista como essencial para equilibrar as contas.
Procurada, a MRV não se manifestou. A Mau Capital também não comentou.



