A jovem Ana Beatriz Stubinski, de 22 anos, recebeu alta hospitalar nesta quarta-feira (15) após cerca de um mês internada no Hospital do Trabalhador, em Curitiba. Ela havia perdido os movimentos das pernas depois de ser atingida por um galho que se soltou de uma árvore na Praça Osório, no Centro da capital paranaense, em 13 de julho. Durante a internação, Ana Beatriz recebeu uma dose de polilaminina, uma proteína sintética desenvolvida no Brasil e ainda em fase de estudos, com potencial para estimular a regeneração de nervos e tecidos lesionados na medula espinhal.
Recuperação apresenta sinais positivos
Segundo a mãe, Vanessa Stubinski, a jovem ainda não voltou a andar, mas passou a apresentar sinais considerados positivos. Ela sente formigamento e espasmos nas pernas e conseguiu fazer pequenos movimentos com um dos dedos e com o pé ao concentrar os comandos. "Agora é a vida nova da Ana, um novo capítulo da vida dela", afirmou a mãe. A última cirurgia realizada na jovem teve boa evolução e já está cicatrizada. A expectativa era de que Ana Beatriz fosse para casa ainda na tarde desta quarta-feira.
Adaptações na casa e reabilitação
A família está preparando a casa para receber a jovem, com adaptações como a compra de cadeira de rodas, maca e cadeira de banho. "Meu Deus, a gente não parou de chorar um minuto. A gente está muito feliz, muito feliz. Ela está sem dores de cabeça, só com a dor da cirurgia em si. Agora é só felicidade. Agora é a reabilitação", disse Vanessa.
O acidente e as cirurgias
Ana Beatriz ficou gravemente ferida no dia 13 de julho, após ser atingida por um galho que caiu na Praça Osório. A Guarda Municipal fez o primeiro atendimento, imobilizou a vítima e acionou o Siate. Ela foi levada de ambulância para o Hospital do Trabalhador, onde foram identificadas lesões severas no pulmão e na medula espinhal, entre as vértebras T5 e T6, com perda dos movimentos das pernas. Durante a internação, a jovem passou por duas cirurgias de alta complexidade: uma para tratar o pneumotórax causado pelo trauma torácico e outra para estabilizar a coluna vertebral.
Uso compassivo da polilaminina
No dia 16 de julho, a Anvisa liberou a aplicação da substância na jovem. A utilização da polilaminina depende da análise individual de cada caso e da aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O paciente precisa cumprir critérios clínicos rigorosos. O pedido de uso compassivo é feito ao laboratório patrocinador, o Cristália, que, se concordar em doar o medicamento experimental, submete um processo para aprovação final da Anvisa. No caso de Ana, com a evolução clínica e o afastamento do risco imediato de morte, a equipe do Hospital do Trabalhador constatou a ausência de movimentos decorrente da lesão medular e avaliou que a paciente poderia se enquadrar nos critérios para receber a polilaminina.
Posição da prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Curitiba lamentou o ocorrido e informou que a Secretaria Municipal do Meio Ambiente mantém um programa permanente de monitoramento e manejo da arborização urbana.



