Moderna sobe com vacina contra Ebola em teste inicial
Moderna sobe com vacina contra Ebola em teste

As ações da Moderna registraram alta expressiva na bolsa de Nova York nesta quinta-feira, após a farmacêutica norte-americana anunciar que administrou a vacina experimental contra o Ebola, mRNA-1469, nos primeiros participantes de um ensaio clínico de fase inicial. A notícia chega em um momento crítico, com um surto da doença se alastrando na República Democrática do Congo (RDC) e a necessidade de imunização específica contra a cepa Bundibugyo ainda sem solução no mercado.

Detalhes do ensaio clínico de Fase 1

O estudo, conduzido em três centros de pesquisa no Canadá, tem como objetivo avaliar a segurança, a tolerabilidade e a resposta imunológica da candidata a vacina em aproximadamente 80 adultos saudáveis. A mRNA-1469 é direcionada especificamente ao ebolavírus Bundibugyo (BDBV), uma das quatro espécies conhecidas do vírus Ebola, que é transmitido pelo contato direto com sangue, secreções ou outros fluidos corporais de pessoas ou animais infectados.

O anúncio ocorre em meio à pior epidemia de BDBV já registrada na RDC. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o surto já se espalhou por cinco províncias nos últimos dois meses, com 3.605 casos confirmados, dos quais quase metade evoluiu para óbito. A gravidade da situação reforça a urgência de uma vacina eficaz, uma vez que a única vacina licenciada contra o Ebola, produzida pela Merck, não cobre a cepa Bundibugyo.

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Potencial de mercado e reação dos investidores

Esse vazio terapêutico coloca a Moderna em posição privilegiada para se tornar a primeira grande farmacêutica a oferecer uma imunização específica para o BDBV. O mercado reagiu positivamente à notícia: por volta das 15h05 (horário de Brasília), os papéis da empresa subiam 4% em Nova York, refletindo a expectativa de que a vacina possa atender a uma necessidade médica não suprida.

O ensaio integra uma colaboração ampliada com a Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI), uma fundação global que já destinou até US$ 50 milhões para o desenvolvimento da vacina. No mês passado, o Reino Unido tornou-se o primeiro país a autorizar testes clínicos de Fase 1 para uma candidata a vacina contra o BDBV, desenvolvida pela Universidade de Oxford e igualmente apoiada pela CEPI, sinalizando um esforço coordenado para combater a doença.

Riscos e incertezas no caminho

Apesar do entusiasmo do mercado, especialistas alertam que a reação pode ser prematura. A Fase 1 é apenas o estágio inicial do desenvolvimento de uma vacina, marcando o começo dos testes em humanos. As fases seguintes, 2 e 3, serão decisivas para comprovar a eficácia do imunizante em grupos maiores e identificar possíveis efeitos colaterais raros, o que pode levar anos.

Além disso, o potencial de receita é incerto. Caso a vacina seja licenciada com sucesso, a Moderna se comprometeu a fornecer um mínimo de 500 mil doses a preços acessíveis para países de baixa e média renda, o que pode limitar o retorno financeiro imediato. Ainda assim, a empresa vê na iniciativa uma oportunidade de consolidar sua posição no campo de vacinas de mRNA, tecnologia que já a tornou conhecida mundialmente com o imunizante contra a Covid-19.

Fonte: Dow Jones Newswires.

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