A Light S.A., concessionária de energia elétrica do Rio de Janeiro, protocolou nesta quarta-feira (16) na 3ª Vara Empresarial da capital fluminense o pedido de saída da recuperação judicial. A empresa busca o encerramento formal do processo iniciado em maio de 2023, quando ingressou com o pedido de recuperação judicial para renegociar dívidas que somavam aproximadamente R$ 11 bilhões.
Plano de reestruturação aprovado
O pedido de saída ocorre após a aprovação do plano de reestruturação pelos credores em assembleia realizada em novembro de 2025. O plano prevê o pagamento de 100% das dívidas, com alongamento de prazos e deságios variáveis conforme a classe de credores. Segundo a empresa, mais de 90% dos credores votaram favoravelmente ao plano.
A Light informou que já cumpriu todas as condições previstas no plano, incluindo a integralização de aumento de capital e a venda de ativos não operacionais. A companhia também quitou as obrigações com credores trabalhistas e pequenas empresas no prazo estipulado.
Impacto financeiro e perspectivas
Com a saída da recuperação judicial, a Light espera retomar o acesso a linhas de crédito e melhorar sua classificação de risco. A empresa projeta investimentos de R$ 2,5 bilhões nos próximos três anos para modernizar a rede de distribuição e reduzir perdas de energia, que atualmente são de 25%, bem acima da média nacional de 15%.
O presidente da Light, Octávio Lopes, afirmou: "Estamos muito satisfeitos com o resultado desse processo. A reestruturação nos permitiu reorganizar as finanças e focar na melhoria dos serviços aos nossos 4,5 milhões de clientes."
Contexto do setor elétrico
A recuperação judicial da Light foi uma das maiores do setor elétrico brasileiro nos últimos anos. A empresa enfrentava dificuldades financeiras devido ao alto endividamento, perdas de energia por furto e inadimplência, além de contingências judiciais. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acompanhou o processo e aprovou a reestruturação.
Com a saída, a Light se junta a outras distribuidoras que passaram por processos semelhantes, como a Energisa e a CPFL, que conseguiram se reerguer após renegociações. O setor espera que a recuperação da Light sirva de exemplo para outras empresas em dificuldades.



