O empresário Joesley Batista, um dos controladores da J&F, está negociando a venda de uma mina de ferro adquirida da Vale em 2022 por um valor que pode chegar a R$ 4 bilhões, segundo fontes do mercado. A mina, localizada no Pará, foi comprada por cerca de R$ 1,5 bilhão há três anos, o que representa um potencial lucro de mais de 160%.
Detalhes da negociação
A mina em questão é a de Serra Leste, em Curionópolis, no sudeste do Pará. A J&F a adquiriu em 2022 como parte de um pacote de ativos da Vale, que incluiu também a mina de Água Limpa, em Minas Gerais. A Vale vendeu esses ativos para cumprir exigências do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) após a aquisição de ativos da Newmont. A J&F pagou R$ 1,5 bilhão pela Serra Leste, mas agora, com a alta do minério de ferro e a demanda global, o ativo pode valer até R$ 4 bilhões.
Interessados e andamento
Segundo apuração, a J&F já recebeu propostas de empresas chinesas e de um fundo soberano do Oriente Médio. A negociação está em fase avançada, mas ainda não há acordo fechado. Joesley Batista, que responde a processos judiciais relacionados à Lava Jato, busca desinvestir em ativos não estratégicos para focar no core business da J&F, que inclui o frigorífico JBS e outras empresas.
Impacto no mercado
A venda da mina pode ter impactos significativos no mercado de minério de ferro. A Serra Leste tem capacidade de produção de cerca de 6 milhões de toneladas por ano, o que representa uma fatia importante do mercado. Se concretizada, a transação pode influenciar os preços e a concorrência no setor. Especialistas avaliam que o valor pedido por Joesley é condizente com o potencial do ativo, mas alertam para riscos regulatórios e ambientais.
"O valor de R$ 4 bilhões é ambicioso, mas justificável pelo momento do mercado e pela qualidade do minério", afirma um analista do setor, que preferiu não se identificar. "No entanto, a negociação pode enfrentar obstáculos devido à situação jurídica de Joesley e à complexidade dos contratos com a Vale."
Contexto histórico
A compra da mina em 2022 foi parte de uma estratégia da J&F de diversificação de investimentos. Na época, a Vale precisava vender os ativos para atender a decisão do Cade, e a J&F aproveitou a oportunidade. Agora, com a valorização dos ativos, Joesley busca realizar lucro e reduzir o endividamento do grupo. A J&F não comentou oficialmente as negociações.



