ISA Energia tem lucro de R$174 mi no 2º tri, queda de 32%
ISA Energia: lucro de R$174 mi no 2º tri, queda de 32%

A transmissora de energia ISA Energia (ISAE4) reportou lucro líquido de R$174 milhões no segundo trimestre de 2025, uma queda de 32% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado foi impactado por maiores despesas financeiras, que ofuscaram o efeito positivo do crescimento da receita, conforme balanço divulgado nesta segunda-feira.

Desempenho operacional e financeiro

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$967 milhões no trimestre, alta de 22,5% na comparação anual. A receita líquida alcançou R$1,2 bilhão, um aumento de 20,9%.

Segundo executivos da ISA, os números foram positivamente impactados pelo início da operação de novas linhas e subestações, além de reforços e melhorias em ativos existentes. No entanto, a despesa financeira subiu devido ao crescimento da dívida, pressionando o resultado final.

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Endividamento e investimentos

A dívida bruta da ISA Energia atingiu R$17,7 bilhões ao final de junho, um aumento de 10,7% frente ao encerramento de 2025. O índice de alavancagem ficou em 3,78 vezes. O endividamento cresceu nos últimos anos para financiar a construção de novos projetos.

A carteira de investimentos da companhia soma R$12 bilhões até 2033, incluindo compromissos com empreendimentos greenfield e autorizações para reforços e melhorias na rede existente.

Estratégia: leilões e baterias

A diretora financeira da ISA Energia, Silvia Wada, afirmou à Reuters que a companhia decidiu não participar do leilão de transmissão programado para o segundo semestre deste ano. No entanto, a empresa continua avaliando o certame voltado à contratação de baterias.

“Esse sim, a gente está estudando com disciplina, (para) entender se faz sentido, é algo novo… a gente quer entender se isso é uma potencial nova via de crescimento”, afirmou ela.

A ISA Energia opera um dos únicos projetos de baterias em larga escala do Brasil, implantado como teste para entender os possíveis usos da tecnologia no sistema elétrico local. Com 30 megawatts (MW) de potência, o sistema de armazenamento, localizado no litoral sul paulista, serve como reforço para a rede elétrica nos horários de pico de consumo.

Eventos climáticos e El Niño

O CEO, Rui Chammas, destacou os esforços da companhia para preparar seus ativos de transmissão para eventos climáticos extremos, em projeto iniciado há mais de dois anos, após amplo estudo sobre o tema. Segundo ele, o principal desafio são os ventos, que ganharam mais velocidade e aparecem em novas configurações.

“Tem um vento chamado ‘downburst’, que achata a infraestrutura, e tem miniciclones que aparecem e acabam quase que arrancando as torres.”

No fim de julho, uma forte ventania no interior de São Paulo afetou quatro torres de transmissão da ISA, que já foram recompostas com estruturas provisórias, disse o CEO. Ele afirmou que a companhia considera estar preparada para enfrentar o próximo El Niño, com mentalidade de recomposição e ação rápida para restabelecer os serviços em caso de distúrbios.

“Eu não consigo fazer ‘à prova’ do vento, seriam torres muito pesadas. Mostramos isso para a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), eles reconheceram que não faz sentido, em alguns casos a gente estava falando de torres ou estruturas sete vezes mais pesadas. Então a gente está tentando ficar preparado para ele (o vento).”

Uma das iniciativas, implantada como piloto na região de Ribeirão Preto (SP), são “grampos deslizantes” nas linhas de transmissão. Em situações de ventos extremos, esses dispositivos atuam como mecanismo de proteção, evitando a derrubada de torres em cascata.

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