Indústria cai 0,4% em junho; derivados de petróleo e químicos puxam queda
Indústria cai 0,4% em junho; derivados e químicos puxam

A indústria brasileira registrou queda de 0,4% em junho na comparação com maio, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi puxado principalmente pelos setores de derivados de petróleo e biocombustíveis, que recuaram 2,1%, e de produtos químicos, que caíram 2,0%.

Queda generalizada entre as grandes categorias

Das quatro grandes categorias econômicas, três apresentaram retração no mês: bens de capital (-1,8%), bens intermediários (-0,6%) e bens semi e não duráveis (-0,3%). Apenas bens de consumo duráveis avançaram, com alta de 0,9%. Na comparação com junho do ano passado, a produção industrial total recuou 1,6%, o terceiro resultado negativo consecutivo nesse tipo de confronto.

No acumulado do primeiro semestre, a indústria acumula queda de 1,6%, enquanto nos últimos 12 meses a retração é de 1,4%. Os dados reforçam a percepção de perda de dinamismo do setor, que vinha mostrando sinais de recuperação no início do ano, mas voltou a perder fôlego diante do cenário de juros elevados e incertezas econômicas.

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Setores com maiores impactos negativos

Além de derivados de petróleo e produtos químicos, outros setores contribuíram negativamente para o resultado de junho: indústrias alimentícias (-0,9%), bebidas (-2,5%), metalurgia (-1,2%) e veículos automotores (-0,7%). Por outro lado, as altas mais expressivas vieram de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (5,1%), móveis (4,3%) e produtos de borracha e material plástico (2,4%).

Segundo André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, "a queda de junho foi disseminada, mas com intensidade moderada, refletindo um cenário de menor confiança e demanda mais fraca, especialmente em setores ligados a investimentos e insumos industriais". Ele destacou que a produção de bens de capital, que recuou 1,8%, é um sinal de cautela por parte dos empresários.

Impacto na economia e perspectivas

O resultado de junho interrompe uma sequência de dois meses de alta, já que maio havia registrado avanço de 0,3% e abril, de 0,1%. A queda no mês foi influenciada pela manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado, o que encarece o crédito e inibe investimentos. Economistas consultados pela Reuters projetavam uma queda menor, de 0,2%, o que indica que o desempenho veio ligeiramente pior que o esperado.

Para o segundo semestre, a expectativa é de que a indústria continue enfrentando desafios, como a desaceleração da economia global e a volatilidade cambial. No entanto, o IBGE ressalta que a base de comparação é favorável em alguns setores, o que pode gerar resultados positivos pontuais. O monitoramento dos próximos meses será crucial para avaliar se a tendência de queda se aprofunda ou se há uma estabilização.

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