O partido Mobiliza comunicou oficialmente que não lançará candidatura própria à Presidência da República nas eleições de 2026, descartando o nome do ex-deputado federal Cabo Daciolo. A decisão da direção nacional da sigla foi tomada em reunião realizada na última semana, e o partido deverá manter posição de neutralidade no primeiro turno da disputa presidencial.
Cabo Daciolo, que desde abril deste ano se apresentava como pré-candidato e chegou a participar de eventos e agendas em diversos estados, afirmou que foi surpreendido pela deliberação. Em nota, o ex-parlamentar declarou que respeita a decisão, mas lamentou o que chamou de “mudança de rota” sem diálogo prévio com a base.
Decisão da direção e reação do ex-deputado
Segundo fontes internas do Mobiliza, a cúpula do partido avaliou que uma candidatura própria em 2026 não teria viabilidade eleitoral diante do cenário polarizado, e que a legenda poderia ganhar mais espaço atuando de forma independente, sem alinhamento automático a nenhum dos principais nomes da disputa. A neutralidade, conforme a direção, permitirá ao partido negociar apoios regionais e fortalecer sua bancada no Congresso.
Daciolo, que ficou conhecido nacionalmente durante a campanha presidencial de 2018, quando obteve cerca de 1,3 milhão de votos, declarou que sua pré-candidatura era um projeto construído com movimentos sociais e lideranças religiosas. “Fui pego de surpresa. Acredito que uma decisão tão importante deveria ter sido discutida com os filiados e comigo diretamente”, afirmou em entrevista.
Impacto para as eleições de 2026
A decisão do Mobiliza reduz o número de candidatos competitivos no campo da direita conservadora e pode influenciar alianças em estados-chave. Para cientistas políticos ouvidos pela reportagem, a neutralidade do partido abre espaço para que Daciolo apoie uma das candidaturas já consolidadas, ou até mesmo se candidate a um cargo legislativo.
Internamente, parte da ala jovem do partido demonstrou insatisfação com a medida, argumentando que a sigla perde a oportunidade de projetar novas lideranças. Por outro lado, dirigentes avaliam que a estratégia de não lançar candidato próprio é a mais realista para garantir sobrevivência partidária e recursos do fundo eleitoral.
Histórico de Daciolo e próximos passos
Ex-bombeiro militar, Daciolo foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro em 2014 e tornou-se conhecido nacionalmente em 2018, quando sua participação nos debates presidenciais viralizou por suas falas sobre fé e pátria. Após deixar o PSOL, passou por partidos como Patriota e agora Mobiliza, sempre com discurso conservador.
O ex-deputado não descarta uma nova candidatura em 2026, mas agora para a Câmara dos Deputados ou Assembleia Legislativa. “Meu compromisso com o povo brasileiro continua. Vou avaliar com minha família e com meus apoiadores qual será o melhor caminho para seguir servindo ao país”, disse.
O Mobiliza ainda não definiu se apoiará formalmente algum candidato no segundo turno, caso haja, mas a tendência é que a legenda mantenha independência até o final do pleito.



