Uma pesquisa recente conduzida pela XP Investimentos revelou que a inteligência artificial (IA) ainda não é vista como uma ameaça iminente aos empregos no setor de assessoria de investimento no Brasil. De acordo com o levantamento, 92% dos assessores de investimento afirmaram não temer a substituição de suas funções pela tecnologia, mesmo com o avanço acelerado de ferramentas baseadas em IA no mercado financeiro.
O que a pesquisa mostrou
O estudo, realizado com mais de 1.500 profissionais da área, indicou que a maioria enxerga a IA como uma ferramenta complementar, capaz de otimizar tarefas operacionais e melhorar o atendimento ao cliente. Apenas 8% dos entrevistados demonstraram preocupação com a possibilidade de perder espaço para sistemas automatizados.
Segundo o diretor de tecnologia da XP, Marcos Oliveira, a IA já é utilizada internamente para apoiar os assessores em análises de perfil de investidor e na sugestão de produtos, mas a decisão final e o relacionamento com o cliente continuam sendo atribuições humanas. "A tecnologia vem para potencializar o trabalho do assessor, não para substituí-lo", afirmou Oliveira em comunicado oficial.
Impacto no setor
O resultado da pesquisa reflete uma tendência observada em outras áreas do mercado financeiro, onde a automação tem sido aplicada em processos repetitivos, mas a interação humana permanece essencial. Especialistas apontam que, embora a IA possa assumir tarefas como triagem de dados e geração de relatórios, a confiança e a empatia são diferenciais que ainda não podem ser replicados por máquinas.
A XP, que é uma das maiores plataformas de investimento do país, tem investido pesadamente em tecnologia, mas a empresa garante que o foco é capacitar seus assessores para usar as novas ferramentas de forma estratégica. Nos últimos dois anos, a companhia destinou mais de R$ 1 bilhão para inovação e treinamento de equipes.
O que dizem os profissionais
Entre os entrevistados, 67% afirmaram que a IA já faz parte do seu dia a dia, principalmente em atividades como organização de agenda e envio de relatórios automáticos. No entanto, 85% acreditam que o contato direto com o cliente continuará sendo o principal diferencial competitivo.
Para a analista de mercado financeiro Carla Mendes, a pesquisa mostra que o medo da IA é exagerado. "A tecnologia é uma aliada, mas o mercado ainda depende muito do relacionamento interpessoal. O investidor quer alguém que entenda suas necessidades e ofereça soluções personalizadas, algo que a IA ainda não entrega completamente", disse Carla.
Perspectivas futuras
Embora a IA não esteja causando cortes de vagas no setor, os especialistas alertam que a demanda por novas habilidades deve crescer. A capacitação em análise de dados e no uso de ferramentas tecnológicas será cada vez mais valorizada. A XP já oferece cursos internos para seus assessores, com foco em IA e finanças comportamentais.
O estudo conclui que, no curto prazo, a IA deve aumentar a produtividade sem reduzir postos de trabalho, mas a adaptação será crucial para os profissionais que desejam se manter relevantes. "A tendência é que o assessor do futuro seja um híbrido, combinando conhecimento técnico com habilidades emocionais", finalizou Oliveira.



