GPA tem prejuízo de R$ 252 mi no 2º tri, alta de 16,2%
GPA: prejuízo de R$ 252 mi no 2º tri, alta de 16,2%

O GPA (PCAR3) reportou prejuízo líquido consolidado de R$ 252 milhões no segundo trimestre de 2026, uma alta de 16,2% em relação às perdas de R$ 217 milhões registradas no mesmo período do ano anterior. Considerando apenas as operações continuadas, o prejuízo atribuído aos acionistas controladores foi de R$ 204 milhões, 15,5% maior na comparação anual.

Impacto de indenização e receita líquida

A companhia pondera que o resultado do segundo trimestre de 2025 foi beneficiado por uma indenização relacionada a um processo tributário. Excluído esse efeito, o prejuízo das operações continuadas teria recuado cerca de 28,5%.

De abril a junho, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou R$ 450 milhões, crescimento de 7,3% ante um ano. A margem Ebitda ajustada avançou 1,7 ponto porcentual, para 10,6%.

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Já a receita líquida totalizou R$ 4,2 bilhões, recuo de 9,6% na comparação anual. As vendas totais alcançaram R$ 4,713 bilhões, queda de 7%. Em mesmas lojas, a retração foi de 0,8%, descontado o efeito calendário.

Estratégia de rentabilidade e vendas

O presidente do GPA, Alexandre Santoro, afirmou que a companhia priorizou as operações mais rentáveis, mesmo que isso representasse abrir mão de parte das vendas. “É claro que queremos voltar a aumentar as vendas, mas queremos crescer com rentabilidade, gerando caixa e de uma maneira saudável”, disse em entrevista à Broadcast.

A queda das vendas totais reflete a descontinuação do Aliados, modelo de venda direta para pequenos comércios, e a redução da exposição a operações menos rentáveis no e-commerce.

O trimestre também foi afetado por problemas pontuais de abastecimento decorrentes da recuperação extrajudicial. A ruptura atingiu seu ponto mais elevado em maio e começou a recuar posteriormente, permitindo que as vendas voltassem a crescer em junho.

Dívida e investimentos

O resultado financeiro líquido do GPA no período de abril a junho ficou negativo em R$ 385 milhões, piora de 26,4% ante a despesa de R$ 304 milhões registrada um ano antes. Enquanto isso, as receitas financeiras caíram 71,5%, para R$ 33 milhões.

Ao fim de junho, a dívida líquida, incluindo recebíveis de cartões não antecipados, somava R$ 3,647 bilhões, ante R$ 2,7 bilhões no segundo trimestre de 2025. A alavancagem financeira atingiu 3,9 vezes o Ebitda ajustado (Pré-IFRS 16) dos últimos 12 meses.

Em uma análise pro forma, que considera a implementação do plano de recuperação extrajudicial e o uso dos R$ 298 milhões provenientes da venda da participação na financeira FIC, a dívida líquida cairia para R$ 1,182 bilhão e a alavancagem recuaria para 1,3 vez. Esses efeitos, contudo, ainda dependem da homologação judicial do plano.

Já o capex (investimentos) ajustado totalizou R$ 76 milhões no segundo trimestre, redução de 52,5% ante igual período de 2025. A queda, segundo a varejista, reflete a suspensão do plano de expansão e a redução dos investimentos em tecnologia, logística e abertura de lojas. No primeiro semestre, o capex somou R$ 162 milhões, queda de 55%.

O GPA reiterou a projeção de investir entre R$ 300 milhões e R$ 350 milhões em 2026. A companhia capturou R$ 244 milhões em reduções de custos e despesas no primeiro semestre, o equivalente a 58,9% da meta anual de R$ 415 milhões.

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