O ex-diretor de Finanças e Relações com Investidores da Vale, Luciano Gasparino, em sua carta de renúncia entregue na última segunda-feira (27), afirmou categoricamente que não divulgou nenhuma informação relevante ainda não tornada pública pela companhia. A declaração foi uma resposta direta às suspeitas levantadas após a saída do executivo, que deixou o cargo em meio a investigações sobre possíveis violações de regras de disclosure no mercado de capitais.
Contexto da renúncia e investigação
Gasparino pediu demissão após a Vale abrir uma apuração interna sobre supostas irregularidades na comunicação de fatos relevantes a investidores. A investigação teve início depois que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) notificou a mineradora sobre indícios de que informações privilegiadas teriam sido compartilhadas de forma seletiva antes de anúncios oficiais. Em sua carta, obtida pelo Valor, Gasparino reitera que sempre agiu dentro da lei e que não há fundamento nas acusações.
Segundo fontes próximas ao caso, a CVM analisa mensagens e e-mails trocados por Gasparino com analistas de mercado e grandes investidores entre 2024 e 2025. O órgão regulador busca esclarecer se houve vazamento de dados sobre a queda na produção de minério de ferro ocorrida no quarto trimestre de 2025, que só foi divulgada publicamente em janeiro de 2026.
Defesa de Gasparino
No documento, o executivo afirma: "Não divulguei qualquer informação relevante não pública, seja por meio de conversas, e-mails ou qualquer outro canal de comunicação. Minha conduta sempre esteve alinhada às melhores práticas de governança e aos regulamentos do mercado de capitais brasileiro." Ele ainda destaca que sua gestão foi marcada pela transparência e que a Vale é referência em compliance. A defesa de Gasparino conta com o apoio de um escritório de advocacia especializado em direito empresarial, que prepara uma representação na CVM para provar sua inocência.
A saída do executivo ocorre em um momento delicado para a Vale, que enfrenta pressão do mercado após a divulgação de resultados abaixo do esperado no primeiro semestre de 2026. A queda de 12% na ação no último mês intensificou os questionamentos de investidores sobre a gestão de riscos e a política de comunicação da companhia.
Impacto no mercado e próximos passos
Analistas consultados pelo Valor consideram que a renúncia de Gasparino pode abalar a confiança do mercado na Vale no curto prazo, especialmente se as investigações da CVM revelarem irregularidades. No entanto, a afirmação do executivo de que não divulgou informações relevantes não públicas pode ajudar a conter os danos à reputação da mineradora.
A Vale informou, por meio de nota, que respeita a decisão de Gasparino e que continuará cooperando com as autoridades. A companhia já iniciou a busca por um substituto para o cargo de diretor de Finanças e Relações com Investidores. Especialistas preveem que a escolha deve recair sobre um profissional com forte experiência em compliance e comunicação com o mercado.
Enquanto isso, a CVM segue com a análise dos documentos e pode convocar Gasparino para prestar depoimento nos próximos dias. O caso é acompanhado de perto por investidores, que aguardam mais esclarecimentos sobre o episódio.



