O diretor executivo da Vale, Eduardo Gasparino, admitiu nesta quarta-feira ter enviado seu voto em uma assembleia de acionistas a um analista de mercado. A revelação foi feita durante depoimento à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em investigação sobre possíveis irregularidades no processo de votação.
Detalhes do caso
Gasparino confirmou que, em fevereiro de 2026, encaminhou por e-mail seu voto favorável à eleição de um conselheiro independente para o analista Marcos Pereira, da corretora Alpha Investimentos. O voto foi enviado antes do término da assembleia, o que levantou suspeitas de que informações privilegiadas poderiam ter sido repassadas.
“Reconheço que enviei o voto, mas não houve qualquer intenção de fornecer informação confidencial. Foi um erro de julgamento”, declarou o executivo, em nota divulgada por sua assessoria.
Impacto no mercado
A notícia gerou reações imediatas no mercado financeiro. As ações da Vale caíram 2,3% no pregão de quarta-feira, refletindo a preocupação dos investidores com a governança corporativa da mineradora. O movimento foi atípico, considerando que a Vale vinha acumulando alta de 8% no mês.
Especialistas apontam que o episódio pode prejudicar a imagem da empresa, que já enfrenta escrutínio sobre práticas de compliance. “A transparência é fundamental em assembleias. Qualquer vazamento, mesmo de um voto individual, compromete a lisura do processo”, afirmou a analista de governança Letícia Campos, da consultoria Governance & Risk.
Posição da CVM
A CVM informou que instaurou processo administrativo para apurar se houve violação da Instrução 480, que regula o dever de sigilo e a vedação ao uso de informações privilegiadas. A autarquia pode aplicar multas que variam de R$ 50 mil a R$ 500 mil, além de outras penalidades.
Procurada, a Vale não comentou o andamento da investigação, mas reiterou seu compromisso com as melhores práticas de governança.
Reações
O episódio reacendeu o debate sobre a necessidade de regras mais rígidas para o relacionamento entre executivos e analistas. “Não se pode banalizar o envio de informações antes da divulgação oficial. Isso fere a equidade entre acionistas”, criticou o presidente da Associação de Investidores do Mercado de Capitais, João Oliveira.
Gasparino, por sua vez, afirmou que colaborará integralmente com as autoridades e que medidas internas já foram adotadas para evitar reincidências.



