O número de pedidos de falência no Brasil registrou alta de 15% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando 1.234 casos, de acordo com dados divulgados pela Serasa Experian. O levantamento mostra que os setores de varejo e construção civil foram os mais afetados, concentrando 45% dos pedidos.
Setores mais impactados
O varejo respondeu por 28% dos pedidos de falência, seguido pela construção civil (17%), indústria (15%) e serviços (12%). Segundo a Serasa, a alta dos juros e a inflação elevada continuam pressionando as empresas, especialmente as de pequeno e médio porte.
Recuperação judicial também avança
Além das falências, os pedidos de recuperação judicial cresceram 12% no período, totalizando 890 solicitações. "As empresas estão recorrendo à recuperação judicial como alternativa para evitar a falência, mas o cenário ainda é desafiador", afirma o economista-chefe da Serasa, Luiz Rabi.
O estudo aponta que a região Sudeste concentra 55% dos pedidos de falência, com destaque para São Paulo (35% do total nacional). O Nordeste aparece em segundo lugar, com 18% dos casos.
Perspectivas para o segundo semestre
Especialistas projetam que o número de falências pode aumentar ainda mais no segundo semestre, caso a taxa Selic permaneça em patamares elevados. "A expectativa é de que os juros comecem a cair apenas em 2027, o que deve manter a pressão sobre as empresas endividadas", avalia Rabi.
A Serasa ressalta que os dados refletem o impacto da política monetária restritiva e da desaceleração econômica. O PIB brasileiro cresceu apenas 0,8% no primeiro trimestre de 2026, segundo o IBGE.



