O consumo de etanol no Brasil deve registrar um aumento de 1,7 ponto percentual neste mês de julho, de acordo com dados da consultoria Argus. A projeção reflete a combinação de preços competitivos do biocombustível nos postos e a expectativa de uma safra recorde de cana-de-açúcar na região Centro-Sul.
Preços competitivos impulsionam demanda
Segundo a Argus, o etanol hidratado está com vantagem competitiva em relação à gasolina em vários estados, o que tem estimulado a procura pelo combustível renovável. “A relação de preços entre etanol e gasolina está favorável, e isso deve se manter ao longo do mês”, afirmou o analista da consultoria, Carlos Ribeiro.
O aumento esperado para julho é de 1,7 ponto percentual em comparação com junho, quando o consumo já havia registrado alta. A Argus estima que a participação do etanol no mercado de combustíveis leves alcance 38,5% neste mês.
Safra recorde de cana-de-açúcar
A safra de cana-de-açúcar na região Centro-Sul, principal polo produtor do país, deve atingir um recorde histórico em 2026/2027, com mais de 600 milhões de toneladas processadas. Esse volume elevado garante oferta abundante de matéria-prima para as usinas, o que contribui para a estabilidade dos preços do etanol.
A produção de etanol total (anidro e hidratado) na safra atual deve superar 30 bilhões de litros, segundo projeções da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).
Impacto no mercado de combustíveis
O aumento do consumo de etanol tem impacto direto na demanda por gasolina, que deve perder participação no mercado. A Argus prevê que a gasolina C (com mistura de etanol anidro) recue 1,2 ponto percentual em julho, ficando com 61,5% do mercado de combustíveis leves.
“O etanol está mais competitivo em 12 estados brasileiros, o que deve pressionar as vendas de gasolina”, explicou Ribeiro. A tendência é que a vantagem do etanol se mantenha enquanto os preços do petróleo se mantiverem elevados no mercado internacional.
Perspectivas para o segundo semestre
Para os próximos meses, a Argus projeta que o consumo de etanol continue crescendo, impulsionado pela safra recorde e pela política de preços da Petrobras. A estatal manteve os preços da gasolina estáveis nas refinarias desde maio, o que favorece a competitividade do biocombustível.
No entanto, a consultoria alerta que a demanda pode ser afetada por fatores sazonais, como o período de entressafra da cana-de-açúcar a partir de novembro. “O segundo semembro ainda é favorável, mas a partir de outubro a oferta de cana começa a diminuir, o que pode pressionar os preços do etanol”, concluiu o analista.



