A venda da CSN Cimentos, subsidiária da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), entra em sua semana mais importante. Segundo fontes ouvidas pelo Valor, ao menos três grupos apresentaram interesse formal na aquisição da unidade de cimentos e devem enviar propostas finais até sexta-feira. O negócio, que pode movimentar mais de R$ 10 bilhões, é considerado estratégico para a redução do endividamento da siderúrgica.
Interessados e cronograma
Os potenciais compradores incluem empresas nacionais e internacionais do setor de materiais de construção, além de fundos de private equity. Entre os nomes citados estão a Votorantim Cimentos, a InterCement e o grupo chinês Anhui Conch, mas nenhuma dessas empresas confirmou oficialmente a participação no processo. O banco BTG Pactual, contratado para conduzir a venda, não comenta o andamento das negociações.
O processo, que começou no primeiro semestre, foi marcado por etapas de due diligence e reuniões com a diretoria da CSN. A expectativa é que os lances finais sejam apresentados até o fim desta semana, com a escolha do vencedor ocorrendo nas próximas duas semanas. "A semana é decisiva para definirmos o futuro da CSN Cimentos", afirmou uma fonte próxima às negociações, sob condição de anonimato.
Estratégia de desalavancagem
A venda da CSN Cimentos faz parte do plano da companhia de reduzir sua dívida líquida, que ao final do segundo trimestre somava aproximadamente R$ 33 bilhões. A empresa já anunciou a meta de captar entre R$ 8 bilhões e R$ 12 bilhões com a alienação de ativos não estratégicos. Em julho, a CSN concluiu a venda de participação em mina de minério de ferro, mas o montante não foi divulgado.
Analistas do mercado veem com bons olhos a operação. "A venda da Cimentos é crucial para a CSN melhorar seus indicadores de crédito e retomar o grau de investimento", avaliou um especialista em crédito de um banco local. A unidade de cimentos é a terceira maior do país, com capacidade instalada de 12 milhões de toneladas por ano, distribuídas em fábricas nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Impacto no setor
Se concretizada, a transação deve reorganizar o mercado de cimentos brasileiro, que já passou por consolidações recentes. A venda da CSN Cimentos para um concorrente direto pode elevar a concentração em algumas regiões, o que poderá atrair a atenção do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Especialistas apontam que a aprovação pode depender de remédios antitruste, como a venda de ativos em áreas onde houver sobreposição.
Para a CSN, a prioridade é o caixa. Com os recursos, a siderúrgica pretende amortizar dívidas e alongar o perfil de vencimentos. A empresa também avalia a venda de outros ativos, como participações em energia e logística. O mercado acompanha com expectativa o desfecho da venda da Cimentos, que deverá ser anunciado ainda neste mês.



