Credores do Grupo Pão de Açúcar (GPA) protocolaram na Justiça de São Paulo um pedido de impugnação do plano de recuperação judicial apresentado pela empresa. O documento, obtido pelo Valor, aponta supostas irregularidades e falta de transparência no processo.
Motivações dos credores
De acordo com o pedido, os credores alegam que o plano não atende aos requisitos legais, especialmente no que diz respeito à viabilidade econômica e à equalização de tratamento entre as diferentes classes de credores. O grupo de credores representa cerca de R$ 1,2 bilhão em créditos, o que equivale a aproximadamente 30% do total da dívida submetida ao processo de recuperação.
"O plano apresentado pelo GPA não reflete a realidade financeira da empresa e impõe sacrifícios desproporcionais aos credores", afirmou o advogado que representa o grupo, em nota. Ele destacou que a proposta de pagamento é insuficiente e que há indícios de favorecimento a determinados credores.
Detalhes do plano
O plano de recuperação do GPA, protocolado em maio, prevê o pagamento de 40% dos créditos em até 10 anos, com carência de dois anos. Para os credores trabalhistas, o percentual é de 100%, mas com parcelamento em 24 meses. A empresa também propõe a venda de ativos não estratégicos para gerar caixa.
No entanto, os credores impugnantes argumentam que a empresa não apresentou projeções financeiras detalhadas e que o laudo de viabilidade econômico-financeira é genérico. "Faltam elementos concretos que demonstrem a capacidade do GPA de honrar os compromissos propostos", diz o texto da impugnação.
Próximos passos
A Justiça deve analisar o pedido de impugnação e convocar uma assembleia geral de credores para votar o plano. Caso a impugnação seja acatada, o GPA terá que reformular a proposta. A empresa, em comunicado, afirmou que "confia na legalidade e transparência do plano" e que está aberta ao diálogo com os credores.
Especialistas apontam que o desfecho do caso pode impactar o setor varejista, que já enfrenta margens apertadas e alta concorrência. O GPA é um dos maiores grupos de varejo do Brasil, com mais de 200 lojas e cerca de 20 mil funcionários.



