Os Correios anunciaram a retomada do plano de fechamento de agências em todo o país, após forte pressão dos servidores. A medida, que estava suspensa desde o ano passado, prevê a redução de unidades consideradas deficitárias, com o objetivo de cortar custos e modernizar a operação. A decisão foi comunicada oficialmente nesta quarta-feira, 5 de agosto, e já gerou reações imediatas dos sindicatos.
Detalhes do plano de fechamento
De acordo com a estatal, o plano prevê o fechamento de aproximadamente 200 agências em todo o território nacional, priorizando aquelas que apresentam baixo movimento e alto custo operacional. A medida faz parte de um programa mais amplo de reestruturação, que inclui a digitalização de serviços e a ampliação de parcerias com franqueados.
O presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, afirmou que a decisão é necessária para garantir a sustentabilidade financeira da empresa. "Não podemos manter unidades que operam no vermelho enquanto a empresa enfrenta um déficit acumulado de mais de R$ 2 bilhões. Precisamos nos adaptar à nova realidade do mercado, onde o volume de encomendas cresce, mas o de cartas cai drasticamente", explicou.
Reação dos servidores
Os sindicatos, no entanto, criticaram a medida, alegando que o fechamento de agências vai prejudicar a população, especialmente em cidades do interior e regiões periféricas. Segundo a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (Fentect), a medida pode afetar diretamente mais de 3 milhões de pessoas que dependem dos serviços presenciais.
"O fechamento de agências é um retrocesso. Em vez de reduzir o atendimento, os Correios deveriam investir em melhorias e na ampliação dos serviços. A população mais carente será a mais afetada, pois muitos não têm acesso à internet para utilizar os serviços digitais", declarou o presidente da Fentect, José Rivaldo da Silva.
Impacto no atendimento e alternativas
Com o fechamento, os Correios pretendem redirecionar os clientes para canais alternativos, como agências franqueadas, unidades de atendimento em parceria com prefeituras e serviços online. A estatal também estuda a instalação de totens de autoatendimento em locais de grande circulação, como shoppings e centros comerciais.
Especialistas em logística apontam que a medida pode ser positiva para a empresa, mas alertam para a necessidade de garantir a capilaridade do serviço. "Os Correios têm uma capilaridade única no país, que é um diferencial competitivo. Fechar agências sem oferecer alternativas eficientes pode abrir espaço para concorrentes", analisa o professor de logística da Fundação Getulio Vargas, Paulo Roberto de Oliveira.
Próximos passos
A estatal informou que o cronograma de fechamento será divulgado nos próximos dias, após estudos detalhados de cada unidade. A empresa também prometeu realizar consultas públicas e ouvir as comunidades afetadas antes de qualquer decisão final.
Enquanto isso, os servidores prometem mobilizações e protestos contra a medida. A Fentect já anunciou uma paralisação nacional para a próxima semana, caso o plano seja mantido. "Vamos lutar até o fim para impedir o fechamento das agências. Os Correios são um patrimônio do povo brasileiro", concluiu José Rivaldo.



