O mercado de capitais brasileiro vive um momento de transformação com a consolidação dos fundos multicédente e multisacado, impulsionada pela Resolução CVM 175. Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, destaca que a nova regulamentação trouxe segurança jurídica e padronização, permitindo que esses instrumentos se consolidem como alternativas eficientes de financiamento para empresas de diversos portes.
O que são os fundos multicédente e multisacado?
Os fundos multicédente são veículos de investimento que reúnem créditos de múltiplos cedentes, enquanto os fundos multisacado agregam recebíveis de diferentes sacados. Ambos permitem a pulverização de riscos e a ampliação do acesso ao mercado de capitais para empresas que antes dependiam exclusivamente de linhas bancárias tradicionais. Segundo Balassiano, “esses fundos democratizam o crédito ao conectar investidores institucionais a empresas com necessidade de capital de giro”.
Impacto da Resolução CVM 175
A Resolução CVM 175, em vigor desde 2023, estabeleceu um marco regulatório claro para os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC) e seus derivados. Entre os principais avanços, estão a simplificação dos processos de emissão e a maior transparência nas carteiras. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) indicam que o volume de emissões de fundos multicédente cresceu 45% no primeiro semestre de 2026, alcançando R$ 12,3 bilhões. Para Balassiano, “a padronização trazida pela resolução reduziu custos operacionais e aumentou a atratividade para investidores estrangeiros”.
Consolidação e perspectivas
A consolidação observada nos últimos meses reflete a maturidade do mercado. Grandes instituições financeiras têm lançado plataformas dedicadas a esses fundos, enquanto empresas de médio porte passaram a utilizá-los como alternativa ao crédito bancário. Balassiano ressalta que “a tendência é de crescimento contínuo, especialmente nos segmentos de agronegócio e infraestrutura, que demandam prazos mais longos e volumes maiores”. Ele também alerta para a necessidade de educação financeira: “Investidores precisam entender os riscos de crédito e liquidez, embora a diversificação minimize impactos”.
Desafios e oportunidades
Apesar do otimismo, desafios persistem. A capacidade de originação de créditos de qualidade e a manutenção de spreads atrativos são pontos de atenção. Balassiano aponta que “a tecnologia tem papel crucial na automação da análise de crédito e na gestão das carteiras, reduzindo assimetrias de informação”. A ID CTVM, por sua vez, tem investido em soluções digitais para facilitar a estruturação desses fundos. “Nosso objetivo é ampliar o acesso, sempre com governança e transparência”, conclui.
O cenário pós-resolução CVM 175 consolida os fundos multicédente e multisacado como pilares do financiamento corporativo no Brasil, com potencial para impulsionar o crescimento econômico ao conectar poupança e investimento de forma eficiente.



