O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) anunciou planos de avançar na regulamentação do uso de inteligência artificial (IA) na publicidade. A entidade, que há décadas estabelece normas éticas para o setor, pretende atualizar seu código para incluir diretrizes específicas sobre transparência e responsabilidade no uso de tecnologias de IA em anúncios.
Novas diretrizes em discussão
Segundo o presidente do Conar, Luiz Fernando de Paula, a proposta é criar regras claras para que o consumidor saiba quando está interagindo com conteúdo gerado por IA. "A ideia é garantir que a publicidade com IA seja identificada de forma clara, evitando enganos e protegendo a confiança do público", afirmou. A iniciativa surge em meio ao crescimento de ferramentas como ChatGPT e geradores de imagem, que já são usados por agências e anunciantes.
Transparência como pilar
O Conar defende que anúncios criados total ou parcialmente por IA devem trazer algum tipo de aviso. Um estudo encomendado pela entidade mostrou que 73% dos consumidores consideram importante saber se um anúncio foi produzido por inteligência artificial. "A transparência é fundamental para manter a credibilidade do mercado publicitário", destacou Paula.
Impacto no mercado
A medida pode afetar desde grandes campanhas de marcas até pequenos anúncios em redes sociais. Agências de publicidade já começam a se preparar para as novas exigências. "Vamos precisar revisar nossos processos criativos e incluir checklists de conformidade", disse Maria Silva, diretora de uma agência paulista. O Conar pretende realizar consultas públicas antes de finalizar as novas regras, previstas para o primeiro semestre de 2026.
Próximos passos
A entidade também estuda a criação de um selo de conformidade para anúncios que seguirem as diretrizes. "Queremos incentivar boas práticas, não apenas punir", explicou Paula. O código atualizado deve ser votado pelo conselho deliberativo do Conar ainda este ano.



