A Cielo, uma das maiores empresas de meios de pagamento do Brasil, anunciou nesta terça-feira (3) sua entrada no chamado comércio agêntico, um segmento emergente que combina inteligência artificial (IA) e automação para realizar vendas sem intervenção humana direta. A novidade faz parte de uma estratégia da companhia para diversificar seus serviços e se posicionar na vanguarda da transformação digital do varejo.
O que é o comércio agêntico
O comércio agêntico utiliza agentes de IA capazes de interagir com clientes, processar pedidos e efetuar pagamentos de forma autônoma. Diferente do e-commerce tradicional, onde o consumidor navega e finaliza a compra, no modelo agêntico o próprio sistema identifica necessidades, sugere produtos e conclui transações, muitas vezes via assistentes virtuais ou chatbots avançados.
De acordo com a Cielo, a nova plataforma permitirá que lojistas integrem seus canais de venda a esses agentes, oferecendo uma experiência mais fluida e personalizada. A empresa pretende, com isso, capturar uma fatia crescente do mercado de pagamentos digitalizados, que no Brasil movimentou mais de R$ 400 bilhões em 2025, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).
Detalhes da nova solução
A solução da Cielo será disponibilizada inicialmente para grandes varejistas e marketplaces, com previsão de expansão para pequenos e médios negócios nos próximos meses. A plataforma utiliza tecnologia de processamento de linguagem natural (PLN) e aprendizado de máquina para entender as intenções do consumidor e executar transações em tempo real, com segurança e conformidade com as normas do Banco Central.
“Estamos dando um passo importante para o futuro do varejo, onde a inteligência artificial será a ponte entre o desejo do consumidor e a concretização da compra”, afirmou o diretor de inovação da Cielo, Ricardo Tavares, em comunicado à imprensa. “Acreditamos que o comércio agêntico vai revolucionar a forma como as pessoas compram, e queremos ser protagonistas nessa mudança.”
Impacto no setor de pagamentos
A entrada da Cielo nesse segmento ocorre em um momento de acirrada concorrência no setor de meios de pagamento, com fintechs e bancos digitais disputando espaço. Especialistas apontam que o comércio agêntico pode reduzir custos operacionais para os lojistas e aumentar a eficiência das vendas, além de abrir novas fontes de receita para as adquirentes.
Segundo a consultoria McKinsey & Company, o comércio agêntico deve responder por até 15% das transações globais de varejo até 2030, um mercado estimado em US$ 7 trilhões. No Brasil, a expectativa é que a adoção seja acelerada pela alta penetração de smartphones e pela familiaridade dos consumidores com assistentes virtuais.
Próximos passos
A Cielo planeja lançar um programa piloto com lojistas selecionados ainda neste trimestre, e a oferta comercial completa está prevista para o primeiro semestre de 2027. A empresa também estuda parcerias com grandes plataformas de e-commerce e provedores de IA para ampliar o alcance da solução.
Com essa iniciativa, a Cielo reforça seu compromisso com a inovação e busca se consolidar como uma referência em pagamentos inteligentes, alinhada às tendências globais de automação e personalização no varejo. O anúncio foi bem recebido pelo mercado, com as ações da companhia fechando em alta de 2,3% na B3 nesta terça-feira.



