Cedro investe R$ 5 bi em tecnologia para mineração sustentável
Cedro investe R$ 5 bi em tecnologia para mineração

Em meio aos desafios da transição energética global, a mineração sustentável deixou de ser apenas uma exigência ética para se tornar um diferencial competitivo. Nesse cenário, a holding brasileira Cedro Participações está investindo cerca de R$ 5 bilhões em dois grandes projetos de infraestrutura logística — a ferrovia Serra Azul e o Porto do Meio — para consolidar um modelo de operação que dispensa totalmente o uso de barragens de rejeitos. A aposta une tecnologia de ponta, eficiência operacional e responsabilidade ambiental.

Criada em 2017, a Cedro atua em mineração de alta qualidade, infraestrutura logística integrada e soluções tecnológicas para reduzir impactos ambientais. Desde a origem, a empresa adotou uma premissa clara: não construir barragens. “A posição da Cedro é muito clara e categórica: não utilizar barragens em suas operações”, reforça Fabiano Carvalho, Chief Commercial Officer (CCO) da companhia. “Não adianta tentar ‘consertar’ o processo depois que a infraestrutura está de pé. Conceber uma planta planejando o tipo de processamento e o destino do rejeito define o impacto de décadas de operação”, completa.

A escolha por não usar barragens não é apenas uma questão de segurança. Ela também está ligada à eficiência econômica e à redução de passivos ambientais. Ao filtrar o rejeito e empilhá-lo a seco, a empresa consegue reaproveitar parte do material e elimina o custo de manutenção das estruturas de contenção, que exigem monitoramento perpétuo. No Brasil, a discussão ganhou ainda mais força após os rompimentos de barragens em Mariana e Brumadinho, que deixaram um rastro de destruição e cobrança por mudanças no setor.

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Rejeito filtrado e empilhado a seco elimina riscos de barragens

O modelo da Cedro nasceu do beneficiamento e reaproveitamento de rejeitos já estocados. Nas minas de Nova Lima e de Mariana, em Minas Gerais, todo o rejeito passa por um rigoroso processo de filtragem antes do empilhamento a seco. Esse método reduz a possibilidade de acidentes, diminui a área ocupada pelas estruturas e facilita a recuperação ambiental das áreas mineradas.

A filtragem do rejeito é uma técnica que vem ganhando espaço no setor por combinar segurança e eficiência. No processo adotado pela Cedro, o material filtrado é empilhado em área própria, com monitoramento constante, e a água recuperada retorna ao circuito industrial. Isso reduz a captação de água nova e evita a formação de grandes lagos de rejeitos, um dos maiores passivos ambientais da mineração.

Energia solar, caminhões elétricos e correia transportadora

Outra frente de sustentabilidade está na energia e no transporte. As operações da Cedro têm usado energia solar e caminhões 100% elétricos dentro das minas. A empresa também está construindo uma correia transportadora de longa distância, com cerca de 20 quilômetros, que vai interligar a mina de Mariana diretamente à ferrovia da Vale. O sistema será movido a eletricidade, o que eliminará a necessidade de centenas de carretas movidas a diesel nas estradas, reduzindo drasticamente as emissões de gases de efeito estufa.

A correia de 20 quilômetros vai eliminar o uso contínuo de centenas de carretas a diesel e, consequentemente, reduzir as emissões de carbono. Além disso, o transporte por correia diminui o tráfego de caminhões nas estradas da região, reduzindo o desgaste da malha viária e o risco de acidentes.

Logística integrada: ferrovia Serra Azul e Porto do Meio

Na avaliação da Cedro, o transporte do minério é o coração da competitividade do setor. Por isso, a companhia está investindo cerca de R$ 5 bilhões em dois projetos estratégicos: a ferrovia Serra Azul, com 26,5 quilômetros na Grande Belo Horizonte, e o Porto do Meio, um terminal portuário privado em Itaguaí, no Rio de Janeiro. A previsão é que ambos entrem em operação até 2030.

Localizado na região metropolitana do Rio de Janeiro, o Porto do Meio deverá oferecer uma nova rota de escoamento para o minério produzido em Minas Gerais, encurtando distâncias e ampliando a capacidade de exportação. A ferrovia Serra Azul, por sua vez, vai conectar as minas à malha ferroviária existente, criando um corredor de transporte eficiente entre a mina e o porto.

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Esses empreendimentos atacam diretamente um dos principais gargalos da infraestrutura brasileira: a dependência excessiva do modal rodoviário. De acordo com a Confederação Nacional do Transporte (CNT), as rodovias ainda respondem por cerca de 65% do transporte de cargas no País. Com a malha integrada por ferrovia e porto, milhares de carretas deixarão de circular, o que deve reduzir acidentes, custos e emissões de poluentes.

Eficiência e responsabilidade ambiental caminham juntas

Para Fabiano Carvalho, não há conflito entre produtividade e preservação ambiental. “Na nossa visão, não existe conflito entre eficiência e responsabilidade ambiental. Ao contrário, há uma relação de simbiose entre esses aspectos”, afirma. Um exemplo dessa integração é a gestão hídrica nas plantas da Cedro, que adotam reciclagem intensiva de água. O processo assegura o máximo reaproveitamento dos recursos hídricos e minimiza a captação de novos volumes nos mananciais locais, uma preocupação constante em regiões com histórico de estiagem.

O impacto social também faz parte da estratégia. Somados, a ferrovia Serra Azul e o Porto do Meio vão gerar mais de 6 mil empregos diretos e indiretos. Atualmente, a empresa viabiliza mais de 60 projetos sociais em Minas Gerais, com ações voltadas à educação, cultura, esporte e saúde. Com isso, a Cedro busca demonstrar que é possível conciliar crescimento econômico, inovação tecnológica e respeito ao meio ambiente.

Em um momento em que o mundo procura matérias-primas produzidas de forma responsável, a aposta da Cedro em uma mineração sem barragens e com logística de baixo carbono pode se tornar um diferencial competitivo relevante para o Brasil na cadeia global de minerais estratégicos.