A XP Investimentos afirma que vale a pena comprar ações no Brasil com o juro real acima de 8%, contrariando o senso comum de que a renda fixa seria mais atrativa. A corretora aponta que o mercado acionário brasileiro está descontado, com múltiplos abaixo da média histórica, e que o fluxo estrangeiro deve retornar, impulsionado pela estabilidade fiscal e pelo ciclo de corte de juros nos EUA.
Motivos para a recomendação
Segundo a XP, o juro real elevado, medido pelo IPCA, não é obstáculo para a Bolsa, mas sim um indicador de que a economia está desacelerando, o que tende a derrubar a inflação e permitir cortes na Selic. Isso beneficiaria empresas domésticas, como varejistas e construtoras, que sofrem com o custo do crédito. Além disso, o valuation da B3 está em níveis historicamente baixos, com o Ibovespa negociando a cerca de 9 vezes os lucros projetados para os próximos 12 meses, contra uma média de 11 vezes nos últimos cinco anos.
Outro ponto destacado é o fluxo estrangeiro: com a queda dos juros nos EUA e a recuperação da economia chinesa, investidores globais devem buscar ativos emergentes, e o Brasil é um dos principais destinos. A XP também menciona que a reforma tributária e as privatizações em andamento podem melhorar o ambiente de negócios, atraindo capital de longo prazo.
Impacto no mercado
A recomendação vem em um momento de incertezas, com o Ibovespa oscilando entre ganhos e perdas, mas a XP acredita que o risco-retorno é favorável. A casa projeta um Ibovespa em 140 mil pontos no fim de 2025, o que representa uma alta de cerca de 15% sobre o nível atual. Entre os setores preferidos estão bancos, energia elétrica e saneamento, que oferecem dividendos robustos e proteção contra a volatilidade.
O relatório da XP também sugere atenção a empresas com forte geração de caixa e baixo endividamento, que conseguem atravessar o ciclo de juros altos sem comprometer seus resultados. A corretora recomenda ainda exposição a papéis ligados ao agronegócio, que se beneficiam do câmbio desvalorizado e da demanda global por alimentos.
Riscos e considerações
Apesar do otimismo, a XP alerta para riscos fiscais, como o aumento da dívida pública e a possibilidade de intervenção do governo na política de preços da Petrobras. Esses fatores podem elevar o prêmio de risco e atrasar a recuperação da Bolsa. Por isso, a recomendação é de compra gradual, aproveitando eventuais quedas para acumular posições.
Em resumo, a XP vê a Bolsa brasileira como uma oportunidade de médio prazo, com potencial de valorização significativo, mas recomendam cautela e diversificação. Investidores devem avaliar seu perfil de risco e horizonte de investimento antes de seguir a recomendação.



