Juro real acima de 8%: XP recomenda comprar ações no Brasil
Juro real de 8%: XP recomenda comprar ações no Brasil

A XP Investimentos recomenda a compra de ações no Brasil, mesmo com o juro real acima de 8%. Segundo a corretora, o cenário de taxas elevadas não impede a rentabilidade da renda variável, desde que o investidor selecione bem os papéis. A análise considera o atual patamar da Selic, que está em 13,75% ao ano, e a inflação projetada pelo mercado.

Por que o juro real alto não é obstáculo?

Em relatório divulgado nesta semana, a XP argumenta que, historicamente, períodos de juro real elevado no Brasil coincidem com valuations descontados na bolsa. Isso cria oportunidades para quem busca retornos de longo prazo. A corretora destaca que, apesar do custo de oportunidade maior, empresas com fundamentos sólidos e geração de caixa consistente tendem a performar bem.

O estrategista-chefe da XP, Fernando Ferreira, afirmou que "o investidor brasileiro está acostumado a ver o juro alto como vilão, mas, em muitos casos, ele já está precificado nas ações". Ele reforça que a seleção de ativos é crucial nesse ambiente.

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Setores favorecidos e riscos

A XP aponta setores como bancos, energia e consumo básico como os mais resilientes. Esses segmentos apresentam menor sensibilidade à taxa de juros e conseguem repassar custos. Por outro lado, empresas de crescimento, como tecnologia e construção civil, podem sofrer com o custo do capital mais alto.

O relatório também alerta para os riscos fiscais. O governo estuda um pacote de cortes de gastos, mas a incerteza política pode manter a volatilidade. Mesmo assim, a recomendação é de manter posição em renda variável, com diversificação.

Impacto para o investidor

Para o investidor pessoa física, a mensagem é clara: não é preciso fugir da bolsa por causa dos juros. A XP sugere que, com uma carteira bem construída, é possível obter retornos reais superiores à renda fixa. A corretora cita que o Ibovespa, mesmo com oscilações, acumula valorização em termos reais em janelas de 12 meses após picos de juros.

Além disso, a XP lembra que a renda fixa continua atraente, mas a diversificação é essencial. Com a Selic em 13,75%, títulos públicos pagam bem, mas ações de qualidade podem oferecer ganhos de capital e dividendos.

Recomendações práticas

A corretora sugere que o investidor monitore empresas com baixo endividamento, margens estáveis e histórico de dividendos. Também recomenda evitar alavancagem e manter reserva de emergência. Para quem está começando, a entrada gradual em fundos de índice (ETFs) pode ser uma alternativa.

"O momento exige paciência e análise criteriosa", conclui Ferreira. "Mas as oportunidades existem para quem sabe onde olhar."

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