O Brasil assumiu a liderança global nas importações de automóveis chineses, totalizando US$ 5,2 bilhões entre janeiro e maio de 2026, de acordo com dados divulgados pela alfândega chinesa. Desse montante, US$ 4,5 bilhões corresponderam a veículos eletrificados, um segmento que impulsionou o crescimento das compras brasileiras no mercado asiático.
Crescimento impulsionado por antecipação de tarifas
O aumento das importações reflete uma estratégia de antecipação dos importadores brasileiros diante da elevação das tarifas sobre veículos eletrificados, que subiram para 35% em julho de 2026. Com a medida, as montadoras e distribuidores aceleraram os pedidos para evitar custos mais altos. A China, maior produtora mundial de carros elétricos e híbridos, viu suas exportações para o Brasil dispararem nos primeiros cinco meses do ano.
Ranking global de importações
Com os US$ 5,2 bilhões, o Brasil ultrapassou países como Rússia e Bélgica, que tradicionalmente figuravam entre os maiores compradores de automóveis chineses. A Rússia, que havia liderado as importações em 2025 devido às sanções ocidentais, caiu para a segunda posição, enquanto a Bélgica, porta de entrada para a Europa, ficou em terceiro. O desempenho brasileiro reforça a relevância do mercado latino-americano para a indústria automotiva chinesa, especialmente para marcas como BYD, que ampliou sua presença no país.
Detalhamento dos dados alfandegários
Segundo a alfândega chinesa, os veículos eletrificados representaram 86,5% do total importado pelo Brasil no período, evidenciando a preferência por modelos a bateria e híbridos. Em 2025, o Brasil já havia importado US$ 3,8 bilhões em carros chineses, mas o salto para US$ 5,2 bilhões em apenas cinco meses indica uma aceleração significativa. O volume total de unidades ainda não foi divulgado, mas o valor expressivo sugere um aumento no número de veículos e no preço médio dos modelos adquiridos.
Impacto da tarifa de 35%
A alíquota de 35% sobre veículos eletrificados, em vigor desde julho, foi estabelecida pelo governo brasileiro como parte de uma política de proteção à indústria nacional e de estímulo à produção local. Especialistas apontam que a corrida para importar antes do aumento tarifário pode ter gerado um pico temporário, mas a tendência de crescimento das compras de carros chineses deve se manter, dado o custo competitivo dos modelos chineses em comparação com os fabricados no Brasil ou em outros países.
Perspectivas para o mercado brasileiro
Com a nova tarifa, espera-se que as importações de veículos eletrificados chineses se reduzam nos próximos meses, mas a demanda reprimida e os estoques elevados podem sustentar as vendas internas. Além disso, montadoras como BYD e Great Wall Motor já anunciaram planos de instalar fábricas no Brasil, o que pode reconfigurar o fluxo de comércio entre os dois países. Enquanto isso, os dados da alfândega chinesa de maio a junho ainda não foram consolidados, mas indicam que o ritmo de importações permaneceu elevado.



