O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião de emergência no Palácio do Planalto com ministros e presidentes de bancos públicos para tratar das dificuldades de acesso ao crédito do programa Move Brasil, voltado a taxistas e motoristas de aplicativos. Segundo integrantes do governo, a baixa efetividade do programa preocupa a equipe econômica, que vê riscos de o projeto não alcançar a meta de beneficiar milhares de profissionais antes das eleições de outubro.
Reunião no Palácio do Planalto
O encontro realizado na tarde desta segunda-feira (28) contou com a presença dos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, dos Transportes, Renan Filho, e da Casa Civil, Rui Costa, além dos presidentes do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES. A pauta central foi o descompasso entre os recursos alocados e os efetivamente liberados: dos R$ 30 bilhões destinados ao Move Brasil, apenas R$ 3 bilhões foram contratados até julho, segundo dados do Ministério da Fazenda.
Entraves na liberação do crédito
As principais barreiras apontadas pelos bancos públicos são a inadimplência histórica entre motoristas autônomos e a falta de garantias reais para operações de crédito. O programa Move Brasil prevê taxas de juros abaixo do mercado (a partir de 0,99% ao mês) e prazos de até 60 meses para financiamento de veículos novos e seminovos. No entanto, as instituições financeiras têm exigido comprovação de renda mínima e avalistas, o que exclui grande parte dos potenciais beneficiários.
Segundo apurou a reportagem, o governo federal planeja discutir o assunto com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) na próxima semana para flexibilizar as exigências sem aumentar o risco de calote. Uma das propostas em estudo é a criação de um fundo garantidor com recursos do Tesouro Nacional, medida que já foi adotada em programas anteriores como o Pronampe.
Contexto eleitoral e reação dos motoristas
O Move Brasil foi lançado em março de 2026 como uma das principais bandeiras do governo Lula para o setor de mobilidade urbana, em um ano eleitoral. A expectativa era atender cerca de 500 mil profissionais entre taxistas e motoristas de aplicativos (Uber, 99, etc.), mas até agora menos de 10% desse contingente conseguiu acessar o crédito. Associações de motoristas reclamam da burocracia e dos critérios restritivos, e ameaçam organizar protestos nas capitais se as dificuldades não forem resolvidas.
Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência afirmou que o governo está empenhado em ajustar o programa e que novas medidas serão anunciadas em breve. “O presidente Lula determinou que se encontre uma solução rápida para que os motoristas possam renovar suas frotas e melhorar a renda”, diz o comunicado oficial.
Próximos passos
O governo também estuda a possibilidade de simplificar o processo de inscrição no Move Brasil por meio de uma plataforma digital integrada aos aplicativos de transporte. A ideia é que o próprio motorista possa simular o financiamento e enviar documentos diretamente pelo celular, reduzindo a necessidade de agências bancárias. A reunião com a Febraban está prevista para a primeira semana de agosto e deve definir ajustes operacionais. Enquanto isso, motoristas seguem na expectativa de que o programa finalmente deslanche.



