O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou, nesta terça-feira, uma visita ao Hospital Federal do Andaraí, no Rio de Janeiro, acompanhado pelo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. Durante o encontro, Lula aproveitou para criticar duramente o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por ter cortado o financiamento americano à OMS, e exaltou a eficiência do Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro.
Lula defende o SUS como modelo de saúde universal
Ao lado do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e do governador do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, Lula destacou que o Brasil consegue oferecer tratamento de qualidade a todos os cidadãos, independentemente de sua condição financeira. "Como um país que não é rico como os EUA consegue garantir tratamento de saúde para toda a sua população?", questionou o presidente, em uma clara alfinetada a Trump. Para Lula, a saúde é um direito fundamental e não um privilégio concedido apenas aos mais ricos.
Corte de verbas de Trump à OMS é criticado
O presidente também se referiu diretamente às políticas de Trump, que durante seu mandato suspendeu contribuições dos Estados Unidos à OMS, alegando má gestão da pandemia de Covid-19. "Não podemos aceitar que um país rico, como os Estados Unidos, corte o financiamento de uma organização essencial para a saúde global. Isso é um ataque à solidariedade internacional", afirmou Lula, recebendo o apoio do diretor da OMS, que agradeceu o compromisso brasileiro com a saúde pública.
SUS é referência mundial, diz diretor da OMS
Tedros Ghebreyesus, por sua vez, elogiou o SUS como um dos sistemas de saúde mais inclusivos do mundo. "O Brasil mostra que é possível oferecer cobertura universal mesmo com recursos limitados. É um exemplo para muitos países", declarou. A visita ao Hospital do Andaraí, uma das unidades federais de saúde do Rio, teve como objetivo mostrar na prática o funcionamento da atenção básica e de média complexidade.
Ministro Padilha reforça importância do investimento público
O ministro Alexandre Padilha destacou que a gestão Lula tem priorizado o fortalecimento do SUS, com investimentos em infraestrutura e programas como o Mais Médicos. "Estamos reconstruindo o sistema de saúde após anos de desmonte", disse. Já o governador Ricardo Couto agradeceu a parceria do governo federal para melhorar a rede hospitalar fluminense, que enfrenta desafios históricos.
Impacto político e diplomático da declaração
A crítica de Lula a Trump ocorre em um momento de tensões na política internacional, com os Estados Unidos ainda divididos sobre o papel da OMS. A declaração repercutiu entre diplomatas e especialistas, que veem na fala do presidente brasileiro uma tentativa de reposicionar o país como líder global em saúde pública. O governo brasileiro também sinalizou que pretende aumentar suas contribuições à OMS, reforçando o multilateralismo.
A visita ao Hospital do Andaraí durou cerca de duas horas, durante as quais Lula e Tedros percorreram alas de emergência, pediatria e maternidade. O diretor da OMS cumpre agenda no Brasil até sexta-feira, com reuniões sobre vacinação e combate a doenças negligenciadas.



