O governo da Bahia está em negociações avançadas com uma empresa norte-americana para estabelecer uma parceria voltada à pesquisa e exploração de terras raras no estado. Os minerais são considerados estratégicos para a produção de dispositivos eletrônicos, veículos elétricos e turbinas eólicas, além de serem fundamentais para a transição energética global.
Detalhes da negociação
Segundo fontes do governo baiano, a empresa americana, cujo nome ainda não foi divulgado, possui tecnologia de ponta para extração e processamento de terras raras com menor impacto ambiental. A parceria prevê investimentos iniciais de cerca de US$ 50 milhões em pesquisas geológicas e estudos de viabilidade técnica.
O secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, Paulo Câmera, afirmou que “a exploração de terras raras pode colocar a Bahia na vanguarda da nova economia global, gerando empregos qualificados e renda para a população local”. Ele acrescentou que o estado possui um dos maiores potenciais do Brasil para esses minerais, com depósitos identificados em regiões como o sudoeste baiano.
Impacto econômico e ambiental
As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos essenciais para a fabricação de ímãs permanentes, baterias recarregáveis e catalisadores. Atualmente, a China domina mais de 60% da produção mundial, o que gera preocupações geopolíticas e de segurança de suprimento. O Brasil, com suas reservas estimadas em 21 milhões de toneladas, pode se tornar um player relevante no setor.
A parceria com a empresa americana prevê o uso de técnicas de extração mais limpas, como a lixiviação in situ e a bioengenharia, que reduzem a geração de rejeitos e o consumo de água. “Queremos evitar os erros do passado, quando a mineração deixou passivos ambientais graves. Nosso compromisso é com a sustentabilidade”, destacou Câmera.
Próximos passos
O acordo deve ser assinado nos próximos meses, após a conclusão de análises jurídicas e ambientais. O governo baiano também estuda a criação de um polo de processamento de terras raras no estado, com incentivos fiscais para atrair outras empresas do setor.
Especialistas apontam que a iniciativa pode reduzir a dependência brasileira de importações de terras raras, que atualmente somam cerca de R$ 500 milhões por ano. Além disso, a produção local poderia abastecer a indústria nacional de veículos elétricos, que está em expansão.
A expectativa é que a parceria gere cerca de 2 mil empregos diretos e indiretos nos primeiros cinco anos, com foco em mão de obra local. O governo também planeja investir em capacitação técnica para formar profissionais especializados na área.



