O Assaí Atacadista enviou nesta quinta-feira (16) uma resposta à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) afirmando que a entrada no segmento de farmácias já constava em seu planejamento estratégico desde 2023. A empresa nega ter utilizado informação privilegiada para se beneficiar no mercado.
Contexto da investigação
A CVM abriu um processo para apurar possíveis irregularidades após a notícia de que o Assaí começaria a vender medicamentos em suas lojas. A suspeita era de que a informação teria vazado antes do anúncio oficial, beneficiando investidores que compraram ações da varejista antecipadamente.
Em sua defesa, o Assaí apresentou documentos internos que comprovam que o projeto de farmácias estava em estudo desde o ano passado. A empresa alega que a decisão foi tomada com base em análises de mercado e tendências de consumo, e não em informações privilegiadas.
Detalhes do planejamento
De acordo com a resposta enviada à CVM, o Assaí iniciou as discussões sobre a venda de medicamentos em janeiro de 2023. O projeto foi formalizado em março do mesmo ano, com a criação de um grupo de trabalho multidisciplinar. Em outubro, a empresa já havia definido os fornecedores e iniciado as negociações contratuais.
O Assaí afirma que o anúncio público, feito em junho de 2024, seguiu o cronograma interno e que não houve qualquer vazamento seletivo de informações. A empresa também ressaltou que a comunicação ao mercado foi feita de forma ampla e simultânea, por meio de fato relevante.
Impacto no mercado
Desde o anúncio, as ações do Assaí registraram alta de 12%, refletindo a recepção positiva dos investidores à nova frente de negócios. A empresa espera que a venda de medicamentos contribua para aumentar o tráfego nas lojas e a cesta média de compras.
Segundo analistas do setor, a entrada do Assaí no mercado farmacêutico pode pressionar as margens de redes especializadas, como Pague Menos e Panvel. No entanto, o impacto ainda é incerto, pois depende da estratégia de precificação e do sortimento de produtos que a rede atacadista irá adotar.
Próximos passos
A CVM ainda não se manifestou sobre a resposta do Assaí. O órgão regulador pode arquivar o processo caso considere as explicações suficientes, ou abrir uma investigação formal se entender que há indícios de irregularidade.
O Assaí informou que continuará colaborando com as autoridades e que está confiante de que não cometeu qualquer infração. A empresa reforçou seu compromisso com a transparência e com as melhores práticas de governança corporativa.



