Apenas 24% das empresas usam dados para decisões de RH de forma consistente
Apenas 24% das empresas usam dados em decisões de RH

Uma pesquisa recente conduzida pela consultoria Deloitte em parceria com a Pressworks revelou que apenas 24% das empresas utilizam dados de forma consistente para tomar decisões na área de Recursos Humanos. O estudo, que ouviu mais de 500 profissionais de RH e líderes empresariais no Brasil, aponta que a maioria das organizações ainda depende de intuição ou processos manuais, perdendo oportunidades de eficiência e engajamento.

O abismo entre coleta e ação

Embora 78% das empresas afirmem coletar dados de RH — como turnover, absenteísmo e desempenho —, a pesquisa mostra que o grande desafio está na análise e aplicação prática dessas informações. Apenas 24% dos entrevistados disseram que suas organizações usam esses dados de maneira consistente para embasar decisões estratégicas, como contratações, promoções e planos de desenvolvimento.

“Os dados estão disponíveis, mas falta uma cultura de tomada de decisão baseada em evidências. Muitas empresas ainda confiam no feeling do gestor, o que pode gerar viés e ineficiência”, afirma Carlos Mendes, sócio da Deloitte responsável pelo estudo.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Setores mais avançados

A pesquisa também identificou diferenças setoriais. Empresas de tecnologia e serviços financeiros lideram o uso consistente de dados de RH, com 32% e 29%, respectivamente. Já setores como indústria e varejo apresentam índices mais baixos, em torno de 18%.

“A transformação digital no RH ainda engatinha. Enquanto áreas como marketing e finanças já são orientadas por dados, o RH tradicionalmente resiste”, complementa Mendes.

Benefícios comprovados

As empresas que adotam a análise de dados de forma consistente relatam benefícios concretos. Entre elas, 67% afirmaram ter reduzido o turnover em mais de 15% no último ano, e 55% observaram aumento na produtividade. Além disso, a satisfação dos funcionários cresceu em 48% dessas organizações.

“Quando você usa dados para entender por que as pessoas saem ou quais perfis têm melhor performance, as decisões se tornam mais justas e eficazes”, diz a diretora de RH de uma empresa de tecnologia que participou do estudo, sob condição de anonimato.

Barreiras comuns

Os principais obstáculos apontados pelos entrevistados incluem falta de ferramentas adequadas (citada por 62%), baixa alfabetização em dados entre os profissionais de RH (55%) e resistência cultural à mudança (48%). Apenas 12% das empresas consideram que sua equipe de RH tem plena capacidade de interpretar e agir com base em dados.

A pesquisa sugere que investir em treinamento e em tecnologia analítica pode ajudar a superar essas barreiras. “Não basta comprar um sistema; é preciso capacitar as pessoas”, conclui Mendes.

Perspectivas futuras

O estudo indica que a tendência é de aceleração da adoção de dados no RH, impulsionada pela inteligência artificial e pelo aumento da disponibilidade de plataformas integradas. Para 2026, a expectativa é que pelo menos 40% das empresas brasileiras atinjam um nível consistente de uso de dados na área, embora isso dependa de investimentos e mudança cultural.

“O dado é o novo petróleo, mas no RH ele ainda está no poço, esperando para ser refinado”, metaforiza Mendes. A pesquisa da Deloitte e Pressworks serve como um alerta para que as organizações não fiquem para trás na corrida por um RH mais estratégico.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar