Nauru muda de nome e vira República de Naoero
Nauru agora é República de Naoero, anuncia presidente

O presidente de Nauru, David Adeang, anunciou oficialmente que o país passa a se chamar República de Naoero, adotando a grafia e a pronúncia nativas. A mudança, que entra em vigor imediatamente, também altera o código internacional do país, que deixa de ser NRU e passa a ser NRO. Os habitantes, antes chamados de nauruanos, agora devem ser referidos como dei-naoeros.

Identidade e herança acima da política

Durante o anúncio, Adeang enfatizou que a decisão não tem motivação política, mas sim um profundo significado cultural. "Preservar o legado de nossos ancestrais e fortalecer o futuro de nossos filhos", declarou o presidente, destacando a importância de honrar a língua e as tradições locais.

A pequena nação insular, localizada no Oceano Pacífico, é um dos menores países do mundo, com apenas 21 km² de território. Para se ter uma ideia, isso é menor que bairros como Barra da Tijuca e Campo Grande, no Rio de Janeiro. Com cerca de 13 mil habitantes, Naoero é o terceiro país menos populoso do planeta, atrás apenas de Tuvalu e do Vaticano.

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Um dos destinos menos visitados do mundo

Além de pequeno e pouco populoso, Naoero está entre os países menos visitados do globo. O território recebe menos turistas do que outras nações insulares da Oceania, como Kiribati e Tuvalu, o que reforça seu isolamento e raridade como destino.

Apesar da baixa visibilidade turística, Naoero frequentemente aparece nas manchetes internacionais, especialmente por suas iniciativas ousadas diante da crise climática. O país, que é um dos mais ameaçados pela elevação do nível do mar, anunciou no ano passado a venda de "passaportes dourados" para estrangeiros interessados em financiar ações de combate às mudanças climáticas.

Passaportes dourados: uma estratégia de sobrevivência

Autoridades estimam que 90% dos dei-naoeros precisarão ser realocados devido ao avanço das águas do Oceano Pacífico. Além disso, cerca de 80% do território já é considerado inabitável, consequência da intensa exploração de fosfato que, no passado, transformou o país em uma das nações com maior PIB per capita do mundo, mas deixou um legado de degradação ambiental.

Cada passaporte é comercializado por US$ 105 mil (aproximadamente R$ 535 mil), e a expectativa é arrecadar até US$ 43 milhões (cerca de R$ 220 milhões). A estimativa é de Edward Clark, administrador do Programa de Cidadania para a Resiliência Climática e Econômica de Nauru. Os recursos serão destinados a medidas de adaptação e mitigação, incluindo projetos de infraestrutura e realocação da população.

A mudança de nome, portanto, não é apenas simbólica: ela faz parte de um esforço mais amplo para fortalecer a identidade nacional em um momento em que a própria existência do país está ameaçada. Ao adotar o nome nativo, Naoero reafirma sua soberania e sua determinação em enfrentar os desafios do futuro.

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