O dólar à vista abriu a sessão desta terça-feira (4) perto da estabilidade, com o real se descolando dos pares emergentes, que operam em leve alta ante a moeda americana. Por volta das 9h05, a moeda norte-americana era negociada a R$ 5,42, com variação negativa de 0,03%, enquanto o dólar futuro para agosto caía 0,10%, a R$ 5,43.
Descolamento do real em relação aos pares
Segundo analistas, o movimento reflete a ausência de notícias locais relevantes e a expectativa pela divulgação de dados de inflação nos Estados Unidos, que podem influenciar o apetite por risco global. Enquanto isso, moedas como o peso mexicano e o rand sul-africano registravam ganhos de cerca de 0,3% ante o dólar, mas o real não acompanhava, indicando um fluxo cambial mais equilibrado no mercado doméstico.
"O real está descolado dos pares, o que sugere que o mercado local está mais focado em questões internas, como a tramitação da reforma tributária e o cenário fiscal, do que no exterior", afirma o economista-chefe de uma gestora de recursos, que preferiu não ser identificado.
Impacto do cenário externo
No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de moedas, operava estável, enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro americano de 10 anos caíam ligeiramente, a 4,02%. A queda nos juros americanos tende a beneficiar moedas emergentes, mas o real não reagiu positivamente, o que reforça a tese de que o câmbio local está sendo guiado por fatores domésticos.
Segundo dados da B3, o volume de negócios no mercado de câmbio à vista era de R$ 2,8 bilhões até as 9h10, abaixo da média histórica para o horário, o que indica menor participação de investidores estrangeiros.
Perspectivas para a sessão
Os agentes financeiros aguardam a divulgação do IPCA-15 de julho, que será publicado na quarta-feira, e a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que pode trazer sinais sobre o ritmo de cortes da Selic. "A combinação de uma inflação benigna e uma ata dovish pode pressionar o dólar para baixo, mas o cenário fiscal continua sendo o principal risco", diz um operador de câmbio de um banco estrangeiro.
Caso o dólar rompa o suporte de R$ 5,40, pode buscar a região de R$ 5,35, enquanto a resistência imediata está em R$ 5,45. No exterior, o mercado também acompanha a divulgação do índice de gerentes de compras (PMI) de serviços dos EUA e a criação de vagas de emprego (JOLTS), que podem dar direção ao dólar no restante do dia.



