Capital One fechou contas de Trump por suspeita de lavagem de dinheiro
Capital One fechou contas de Trump por suspeita de lavagem

O banco Capital One revelou em documento judicial que encerrou contas ligadas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 2021, após identificar movimentações financeiras com características de possível lavagem de dinheiro. A informação foi apresentada à Justiça no fim de semana, em resposta a um processo movido por uma das empresas financeiras de Trump logo após ele assumir seu segundo mandato.

Acusações de motivação política

Trump acusa o Capital One de ter fechado suas contas ilegalmente, por razões políticas, após a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021. O banco nega as acusações e pediu que a ação seja arquivada. Segundo a instituição, as rescisões foram resultado de meses de análise e revisão cuidadosa pela equipe de prevenção à lavagem de dinheiro, seguindo políticas internas e orientações regulatórias.

O termo AML, usado pelo banco, refere-se a "anti-money laundering", ou prevenção à lavagem de dinheiro. Trump também processou o JPMorgan Chase, alegando ter sido vítima de "debanking" após deixar a Casa Branca em 2021. O termo descreve a prática de bancos encerrarem contas de clientes considerados riscos financeiros, legais ou de reputação.

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Processo contra JPMorgan Chase

No caso contra o JPMorgan Chase, Trump pede US$ 5 bilhões em indenização. O banco afirma que não fecha contas por motivos políticos, mas pode encerrar relações "com ou sem justa causa" e também quando há "risco legal ou regulatório". Em julho, após meses de paralisação, os advogados de Trump apresentaram uma versão atualizada da ação, reforçando a acusação de motivação política.

O Capital One afirmou que as novas alegações não têm fundamento e que a queixa se apoia em "teorias novas baseadas em citações escolhidas seletivamente". A equipe jurídica de Trump rebateu nesta segunda-feira, mas não comentou diretamente as conclusões internas do banco. Um porta-voz da equipe jurídica do presidente declarou: "O Capital One, junto com outros grandes bancos, encerrou contas do presidente Trump, de sua família e de seus negócios por razões claramente políticas. A ação forte do presidente Trump responsabiliza o Capital One por sua conduta vergonhosa, e esperamos levar este caso até uma conclusão justa e adequada."

Contexto de debanking nos EUA

Conservadores nos EUA alegam há anos que bancos encerram contas de pessoas e empresas alinhadas à direita por motivos políticos. As acusações ganharam força após a Operação Choke Point, iniciativa do governo Barack Obama que pressionou bancos a restringir serviços a setores como armas de fogo, tabaco e empréstimos de curto prazo. A indústria de criptomoedas também afirmou ter sido alvo de "debanking" durante o governo Joe Biden.

Em agosto de 2025, Trump assinou uma ordem executiva intitulada "Garantindo Serviços Bancários Justos para Todos os Americanos", que orienta reguladores federais a encerrar fiscalizações sobre bancos baseadas nos tipos de clientes. O governo Trump também intimou grandes bancos a entregar documentos como parte de uma investigação sobre supostos casos de "debanking".

Detalhes das contas encerradas

Antes do encerramento, Trump mantinha mais de 300 contas no Capital One, usadas por diferentes empresas com a marca Trump, incluindo um campo de golfe e uma vinícola. Segundo o processo, a relação bancária com o Capital One durava mais de uma década. O banco afirmou que não tinha motivo para fazer uma manifestação política ao encerrar as contas em 2021, e que a decisão ocorreu exclusivamente porque especialistas internos em prevenção à lavagem de dinheiro identificaram movimentações suspeitas.

"O Capital One nunca divulgou publicamente a decisão de encerrar as contas nem o processo interno confidencial que levou ao fechamento. Além disso, permitiu que os autores tivessem vários meses, com diversas prorrogações, para encontrar novos serviços bancários, o que eles fizeram", afirmou o banco em documento judicial.

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