O Bitcoin recuou para a faixa dos US$ 64 mil nesta quinta-feira (16), interrompendo uma sequência de altas que levou a criptomoeda a renovar máximas históricas na semana. A queda é atribuída à realização de lucros por investidores e à valorização do petróleo, que desvia o apetite por ativos de risco.
Movimento de realização de lucros
De acordo com dados da plataforma CoinMarketCap, o Bitcoin operava em queda de 3,2% nas últimas 24 horas, cotado a US$ 64.312, por volta das 16h (horário de Brasília). O movimento ocorre após a criptomoeda atingir US$ 68.789 na quarta-feira, seu maior valor desde abril. Analistas apontam que o mercado está passando por um ajuste natural, com investidores aproveitando os ganhos recentes para realizar lucros.
“É um movimento esperado após uma alta tão forte. Muitos traders estão tirando dinheiro da mesa para garantir ganhos”, afirmou André Franco, especialista em criptomoedas do Mercado Bitcoin. Segundo ele, o suporte imediato do Bitcoin está em US$ 63.500, e uma perda desse nível poderia levar a uma correção mais profunda.
Petróleo em alta desvia investidores
Além da realização de lucros, a alta do petróleo contribui para a pressão sobre o Bitcoin. O barril do Brent, referência internacional, subiu 1,8%, cotado a US$ 85,40, impulsionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e cortes de produção da Opep+. O movimento atrai investidores para commodities, reduzindo a liquidez disponível para criptomoedas.
“O petróleo está se beneficiando de um cenário de oferta restrita, enquanto o Bitcoin sofre com a aversão ao risco momentânea. É um movimento clássico de rotação de portfólio”, explicou Fernando Pereira, analista da XP Investimentos. Ele destacou que o mercado de criptomoedas continua volátil e sujeito a influências macroeconômicas.
Impacto no mercado de criptomoedas
A queda do Bitcoin arrastou outras criptomoedas. O Ethereum recuava 2,5%, para US$ 3.450, enquanto a Binance Coin (BNB) caía 1,8%. O volume total negociado no mercado de criptomoedas nas últimas 24 horas foi de US$ 89 bilhões, abaixo da média recente de US$ 100 bilhões.
Apesar da correção, analistas mantêm perspectivas positivas para o Bitcoin no médio prazo. A aprovação de ETFs de Bitcoin à vista nos EUA e o halving programado para 2028 são fatores que podem sustentar a demanda. “O cenário fundamental continua forte. A correção é saudável e pode preparar o terreno para novos recordes”, avaliou Franco.
O mercado monitora agora os dados de inflação nos EUA, que podem influenciar as decisões do Federal Reserve sobre juros. Taxas mais altas tendem a prejudicar ativos de risco como o Bitcoin.



