Ibovespa fecha em queda cautelosa com tarifa dos EUA e cenário fiscal
Ibovespa cai com cautela sobre tarifa dos EUA e fiscal

Ibovespa fecha em queda pressionado por tarifa americana e cenário doméstico

O Ibovespa encerrou a sessão desta quarta-feira em queda, sem acompanhar o desempenho positivo das bolsas de Nova York, devido a fatores domésticos. O principal índice da B3 fechou com 176.010,90 pontos, baixa de 0,36%, com giro financeiro de R$ 39,8 bilhões. No mês de julho, o índice acumula alta de 2,32% e, no ano, ganho de 9,24%.

Cautela com tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros

A grande expectativa do dia foi a definição do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira, afirmou ao Broadcast Político que a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros seria anunciada ainda nesta tarde, com uma provável lista ampliada de exceções.

O sócio-fundador da Private Investimentos, Gustavo Silva, destacou: “O que trava o mercado hoje é a expectativa da tarifa nova dos EUA sobre produto brasileiro. E ainda tem o lado fiscal pesando, depois que o Senado aprovou aposentadoria especial para agente de saúde.” A PEC 14/2021 tem potencial impacto de R$ 28 bilhões nas contas públicas em dez anos, segundo o Ministério da Previdência Social.

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Pesquisa eleitoral e pautas fiscais pesam

A pesquisa Genial/Quaest mostrou que o presidente Lula ampliou a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) dentro da margem de erro. No primeiro turno, Lula oscilou de 39% para 40% das intenções de voto, enquanto Flávio caiu de 29% para 28%. No segundo turno, Lula registra 45% contra 37% de Flávio.

Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, comentou: “A liderança de Lula nos cenários de primeiro e segundo turno e o elevado porcentual de eleitores que afirmam já ter definido seu voto aumentam a atenção em relação ao risco fiscal e à condução da política econômica nos próximos anos.”

Movimentação intradiária e alívio parcial

No melhor momento do dia, o Ibovespa não passou da estabilidade, aos 176.663 pontos (+0,01%), registrado pela manhã. As mínimas foram atingidas no começo da tarde, coincidindo com uma piora pontual em Wall Street, quando o índice caiu 0,77% para 175.288 pontos. Em Nova York, Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 operaram majoritariamente em alta.

No meio da segunda etapa, houve alívio nas perdas, puxado por bancos, melhora da Petrobras (PETR3;PETR4) e da Vale (VALE3), que chegou a cair mais cedo. As ações da mineradora tiveram volatilidade, apesar do avanço do minério de ferro, e com a nomeação de Wilfred Theodoor Bruijn para presidente temporário do conselho de administração. No fechamento, Vale ON subiu 0,68%.

Petróleo e Petrobras

O petróleo esteve em baixa durante boa parte da sessão, afetando as ações da Petrobras, mas fechou em leve alta, reduzindo a pressão. Petrobras ON subiu 0,11% e a PN caiu 0,17%.

Para Pedro Galdi, analista do AGF, além das tarifas, pesaram a volatilidade do vencimento de opções sobre o índice, a pesquisa eleitoral e a preocupação fiscal. “A lista (de produtos tarifados) que deve ser anunciada é pequena, mas acaba fazendo barulho. E hoje é vencimento, então sempre tem uma briga de comprados e vendidos”, disse.

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