O Ibovespa encerrou julho aos 177.999 pontos, registrando uma alta de 3,47% no mês, a primeira valorização mensal após quatro meses consecutivos de perdas. Apesar do avanço, o índice permanece distante do recorde histórico de 198.657 pontos, atingido em 14 de abril. Com a virada do calendário, agosto começa com uma agenda intensa: o Comitê de Política Monetária (Copom) decide o rumo da taxa Selic nesta quarta-feira, e o mercado acompanha a divulgação dos balanços de Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Petrobras (PETR4) até quinta-feira.
Onde investir em agosto: as ações mais recomendadas
Nesse cenário, o investidor precisa decidir onde alocar seus recursos em ações para o mês. O InfoMoney reuniu as carteiras recomendadas das principais casas do país, revelando quais papéis concentram o maior número de indicações. A liderança ficou com a Vale (VALE3), presente em seis das oito carteiras analisadas. Em contrapartida, a Gerdau (GGBR4) aparece em quatro carteiras, após ter acumulado a quinta maior alta do Ibovespa em julho, com avanço de 19,58%.
Vale (VALE3): preferência por minério de ferro
A Vale é a principal escolha do Santander no setor de siderurgia e mineração. Em relatório, o banco justifica a preferência pela “preferência por minério de ferro vs. aço”. O Santander elevou a projeção de preço do minério de ferro para 2026, de US$ 100 para US$ 105 por tonelada. A instituição avalia que a ação da Vale negocia a um “valuation ainda razoável”, com EV/Ebitda de 4,3 vezes para 2026, 34% abaixo da média dos pares, e um dividend yield (retorno com dividendos) projetado de 6,5%.
Itaú (ITUB4): balanço do 2T26 sem grandes surpresas
O Itaú divulga seus resultados do segundo trimestre de 2026 nesta terça-feira, e o Andbank não espera movimentos bruscos. No primeiro trimestre, o banco registrou lucro líquido de R$ 12,3 bilhões e ROE (Retorno sobre Patrimônio Líquido) de 24,8%, sustentados por menor carga tributária, embora com receitas de serviços mais fracas e maiores provisões. Para o Andbank, o trimestre foi “sem surpresas relevantes e sem mudanças significativas na perspectiva para 2026”, e a expectativa é de um ROE “praticamente no mesmo patamar” no segundo trimestre.
Bradesco (BBDC4): balanço e aumento de capital
O Bradesco também apresenta seus números do 2T26 na quarta-feira, além de anunciar um aumento de capital para agosto por meio de uma oferta de ações. O Andbank descreve o resultado do 1T26 como “sólido”, com crescimento de lucro e melhora de rentabilidade, impulsionados pela expansão da margem financeira e do crédito, apesar da leve deterioração da inadimplência e do aumento das provisões. A leitura é de “trajetória operacional positiva”, ainda que “sem grande potencial de surpresa para o mercado diante das expectativas já elevadas”.
Embraer (EMBJ3): carteira de pedidos fortalece tese
A Terra Investimentos destaca a carteira de pedidos da Embraer, que “reforça a previsibilidade de resultados para os próximos anos”. A corretora aponta o crescimento da demanda por aeronaves regionais e executivas e afirma que o avanço em eficiência produtiva e o controle de custos vêm sustentando “recuperação consistente de margens e geração de caixa”, com redução gradual da alavancagem financeira. A companhia informou, no fim de julho, que o backlog fechou o segundo trimestre em US$ 34,5 bilhões, alta de 16% em um ano. O preço-alvo da Terra em 12 meses é de R$ 95, enquanto a ação encerrou julho a R$ 86,89.
Gerdau (GGBR4): exposição equilibrada a ciclos econômicos
A Gerdau chega a agosto após subir 19,58% em julho, o quinto maior ganho do Ibovespa no mês. Para a Terra Investimentos, a operação dividida entre Brasil e Estados Unidos oferece exposição equilibrada a “diferentes ciclos econômicos”, com expectativa de recuperação gradual da demanda industrial e de infraestrutura, especialmente no mercado norte-americano. A corretora destaca disciplina operacional, controle de custos e geração de caixa, que sustentam “margens resilientes” em um cenário ainda desafiador para commodities, além de baixa alavancagem e capacidade consistente de pagar dividendos. O preço-alvo é de R$ 28, ante os R$ 24,98 do fechamento de julho.
Com a Vale liderando as recomendações e a Gerdau ganhando destaque, o investidor tem opções claras para compor sua carteira em agosto. A decisão do Copom sobre a Selic e os balanços dos grandes bancos e da Petrobras podem influenciar os rumos do mercado nos próximos dias.



