O Santander Brasil reportou lucro líquido de R$ 3,014 bilhões no segundo trimestre de 2026, uma queda de 20,4% em relação aos R$ 3,786 bilhões do primeiro trimestre e de 17,6% na comparação com o mesmo período de 2025. O resultado veio abaixo das expectativas do mercado, que projetava lucro médio de R$ 3,3 bilhões, segundo pesquisa da Bloomberg.
Desempenho Financeiro do Trimestre
A rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE) recuou para 13,6%, contra 17,2% no trimestre anterior e 19,8% há um ano. A margem financeira bruta totalizou R$ 11,9 bilhões, alta de 2,1% na base trimestral, mas com leve variação negativa de 0,3% em 12 meses. O banco destacou que o crescimento da carteira de crédito foi puxado por pessoas jurídicas, especialmente nos segmentos de grande empresa e agronegócio.
As receitas de prestação de serviços e tarifas bancárias somaram R$ 5,2 bilhões, aumento de 1,8% no trimestre, mas recuo de 0,5% na comparação anual. O resultado de seguros, previdência e capitalização atingiu R$ 1,1 bilhão, estável ante o primeiro trimestre.
Provisões e Inadimplência
As despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD) totalizaram R$ 5,8 bilhões, avanço de 18,4% no trimestre e de 22,1% em 12 meses, pressionando o resultado. A inadimplência acima de 90 dias ficou em 3,2%, ante 3,0% no primeiro trimestre e 2,7% há um ano. A carteira de crédito ampliada encerrou junho em R$ 422,7 bilhões, crescimento de 1,9% no trimestre, mas com desaceleração de 2,5 pontos percentuais na comparação anual.
O banco atribuiu o aumento da inadimplência ao segmento de pessoas físicas, especialmente cartão de crédito e crédito consignado. Em contrapartida, a qualidade da carteira de grandes empresas manteve-se estável.
Despesas Operacionais e Eficiência
As despesas operacionais subiram 3,4% no trimestre e 5,1% em 12 meses, totalizando R$ 6,1 bilhões. O índice de eficiência (despesas/receitas) piorou para 46,7%, contra 44,9% no primeiro trimestre e 43,2% no segundo trimestre de 2025. O banco informou que mantém programa de redução de custos, com foco em digitalização e fechamento de agências.
“Os resultados refletem um ambiente macroeconômico ainda desafiador, com juros elevados e inadimplência em patamares mais altos. Estamos focados em manter a disciplina de custos e a qualidade dos ativos para atravessar este ciclo”, afirmou Mário Leão, presidente do Santander Brasil, em nota oficial.
Perspectivas e Estratégia
Para o segundo semestre, o banco projeta crescimento moderado da carteira de crédito, com ênfase em segmentos de menor risco. A expectativa é de que a inadimplência atinja o pico no terceiro trimestre e comece a recuar a partir do quarto. O Santander mantém guidance de ROE entre 14% e 16% para 2026, mas o mercado já revisa para baixo as projeções.
O lucro líquido do primeiro semestre de 2026 somou R$ 6,8 bilhões, queda de 12,5% ante o mesmo período de 2025. O banco reafirmou o compromisso com a distribuição de dividendos e a recompra de ações, mas não detalhou novos programas.
As ações do Santander Brasil (SANB11) fecharam o pregão desta quarta-feira em alta de 0,3%, a R$ 28,40, reagindo ao resultado dentro do esperado. Analistas do Credit Suisse avaliaram que o balanço foi “misto”, com pressão de provisões compensada por receitas de serviços resilientes.



