O Índice de Confiança da Indústria (ICI) registrou queda de 1,2 ponto em julho, passando de 98,4 pontos em junho para 97,2 pontos, de acordo com a Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado interrompe uma sequência de três altas consecutivas e sinaliza um arrefecimento no otimismo do setor industrial.
Componentes do índice
O ICI é composto por dois subíndices: o Índice de Situação Atual (ISA) e o Índice de Expectativas (IE). Em julho, o ISA caiu 0,8 ponto, para 97,6 pontos, enquanto o IE recuou 1,6 ponto, para 96,8 pontos. A queda mais acentuada das expectativas sugere que os empresários estão menos otimistas em relação aos próximos meses.
De acordo com a economista da FGV, Renata de Mello Franco, a deterioração da confiança reflete um cenário de maior incerteza. "A indústria ainda enfrenta desafios como a alta dos juros e a desaceleração da economia global, que impactam as perspectivas de curto prazo", afirmou.
Setores e regiões
A pesquisa da FGV abrange 19 setores industriais e 1.172 empresas consultadas entre os dias 1° e 24 de julho. Entre os setores, 11 apresentaram queda na confiança, com destaque para materiais de construção, máquinas e equipamentos, e veículos automotores. Regionalmente, o índice caiu em 9 das 12 regiões analisadas, com as maiores reduções observadas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro.
"A queda disseminada entre setores e regiões indica que o pessimismo não é pontual, mas sim uma tendência mais ampla", completou Renata de Mello Franco.
Impactos na economia
A redução da confiança industrial pode ter reflexos na produção, nos investimentos e na contratação de mão de obra. Com expectativas mais baixas, as empresas tendem a adiar planos de expansão e reduzir estoques, o que pode pressionar o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre.
Em junho, a produção industrial já havia surpreendido negativamente, com queda de 0,3% na comparação mensal, segundo o IBGE. O ICI de julho reforça a percepção de que o setor enfrenta ventos contrários, especialmente diante da manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano e da desaceleração da demanda chinesa.
Comparativo histórico
O índice de 97,2 pontos é o menor desde março, quando atingiu 96,5 pontos. Na comparação com julho de 2025, houve queda de 1,8 ponto. A média histórica do indicador, desde 2011, é de 99,3 pontos, o que coloca o atual patamar ligeiramente abaixo da média.
A FGV também divulgou o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), que acompanha a confiança de forma mais restrita. Em julho, o ICEI caiu 1,1 ponto, para 48,7 pontos, permanecendo abaixo da linha de 50 pontos, que separa a confiança do pessimismo.
Perspectivas
Para os próximos meses, a economista da FGV projeta que a confiança deve se manter volátil, dependendo da evolução da inflação, dos juros e do cenário internacional. "A recuperação da confiança depende de sinais claros de queda da inflação e de uma política monetária menos restritiva", disse Renata.
O governo federal, por sua vez, anunciou ontem novas medidas de estímulo ao setor industrial, como a redução de impostos para investimentos em máquinas e equipamentos. Contudo, o impacto dessas iniciativas ainda não foi captado pela pesquisa de julho.



