Lucro cai 17,6% e RoE recua para 12,5%
O Santander Brasil (SANB11) reportou lucro líquido de R$ 3,014 bilhões no segundo trimestre de 2024, uma queda de 17,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O retorno sobre o patrimônio (RoE) caiu 3,8 pontos percentuais, para 12,5%. Com o resultado considerado fraco pelo mercado, as ações do banco desabaram 6,65% no pregão seguinte, fechando a R$ 25,83.
A divulgação do balanço ocorre sob a expectativa de novos rumos após a troca de comando: Gilson Finkelsztain assumiu a presidência no início de julho, sucedendo Mario Leão. No entanto, os números ainda refletem a gestão anterior.
Citi prevê pressão de curto prazo
Para a equipe de analistas do Citi, liderada por Gustavo Schroden, a ação do Santander deve continuar sob pressão no curto prazo. O banco americano destaca que a unidade brasileira segue promovendo a rotação da carteira de crédito, com foco em financiamento ao consumo, cartões e PMEs, enquanto reduz exposição a produtos massificados.
Além disso, o Santander implementou um arcabouço de baixa contábil mais conservador, que antecipa o reconhecimento de perdas para carteiras sem garantia. “Esperamos que o custo de risco recue para patamares inferiores aos observados no segundo trimestre de 2026, embora deva permanecer acima dos níveis de 2025, pressionando a rentabilidade”, projeta o Citi.
Integral Group: higienização da carteira
A head de crédito da Integral Group, Maria Estela Ferraz de Campos, avalia que o banco priorizou a segurança do balanço e a 'higienização' da carteira no segundo trimestre, em detrimento de margens de curto prazo. Ela afirma que o Santander 'aceitou' uma retração temporária na rentabilidade para promover o 'de-risking', aumentando a exposição a linhas garantidas e de alta renda.
Campos ressalta que o banco mostrou 'gestão eficiente' das despesas operacionais, ganhos contínuos de produtividade e sólida posição de capital. 'A transição planejada no comando executivo posiciona a nova liderança para colher frutos da requalificação do portfólio', acrescenta.
Itaú BBA e BB-BI veem resultado negativo
O Itaú BBA classificou o balanço como 'negativo', diante da combinação de receitas mais fracas com aumento acentuado nas despesas com provisões contra calotes. Apesar disso, manteve recomendação market perform (equivalente à neutra) e preço-alvo de R$ 32, potencial de valorização de 15,6% sobre o fechamento anterior.
Já o BB-BI avaliou que o resultado foi fraco, reforçando a ausência de gatilhos para uma retomada consistente da rentabilidade. O banco reduziu o preço-alvo de SANB11 para R$ 31,60, mantendo recomendação neutra. O analista Rafael Reis aponta que a margem financeira menos pujante e o custo de crédito pressionado afetaram o resultado operacional.
Reis lembra que, no início do ano, a tese de recuperação gradual do Santander dependia de uma trajetória de queda de juros, que aliviaria o custo do crédito e a pressão sobre a margem. No entanto, o cenário macroeconômico adverso, com juros elevados por mais tempo, retarda esse processo, mantendo o banco em um equilíbrio pouco favorável entre rentabilidade e risco.



