Setor de caminhões tem lenta recuperação, mas queda no semestre é de 10,5%
Recuperação lenta: emplacamentos de caminhões caem 10,5% no semestre

A indústria brasileira de caminhões apresenta uma lenta recuperação no número de emplacamentos. Segundo a Anfavea, associação que representa os fabricantes de veículos automotores do Brasil, junho foi o melhor mês no número de emplacamentos e também de produção de caminhões no Brasil, com aumento de, respectivamente, 3,9% e 15,9%.

Produção e emplacamentos em alta em junho

No mês passado, o Brasil produziu 10,9 mil caminhões contra 10,5 mil em maio. Em números de emplacamentos, o resultado foi de 9,8 mil contra 8,4 mil. Este registro mostra uma trajetória de crescimento do mercado em emplacamentos e produção, principalmente por causa do Move Brasil 1 e 2, programas do governo federal com financiamentos a juros mais baixos para aquisição dos veículos por meio do Finame. No entanto, no acumulado do ano, a queda nos emplacamentos no primeiro semestre é de 10,5%.

Efeito tênue dos incentivos

“O que temos, analisando os dados de emplacamentos de caminhões, é uma queda importante de 10,5%, mas menor do que aquela que observamos no início deste ano. A trajetória do acumulado precisa ser acompanhada”, diz Igor Calvet, presidente da Anfavea.

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No início de 2026, segundo o executivo, o setor ainda sentia os efeitos do fechamento do ano anterior, quando o mercado de caminhões registrou retração de cerca de 31,5%. Ainda de acordo com Calvet, o resultado esteve ligado principalmente à alta das taxas de juros e aos problemas enfrentados pelo agronegócio brasileiro.

“Depois, tivemos o Move Brasil 1 e 2, que estimularam a venda de caminhões com juros mais baixos e movimentaram cerca de R$ 30 bilhões. Isso fez com que a queda se atenuasse”, afirma o presidente da Anfavea.

Para o representante das montadoras, o Move Brasil 1 e 2 não conseguiram conter a queda do mercado, revertendo a trajetória de queda para um cenário positivo. “Teremos um resultado negativo no mercado de caminhões ao final deste ano, apesar do efeito atenuante dos programas governamentais. Houve uma diminuição da queda”, explica Calvet.

Trajetória do acumulado do ano

O mercado de caminhões iniciou 2026 com -31,5% de variação em relação a 2025 e, no mês de fevereiro, a queda passou para -28,7%, depois -21,1% em março, -17,2% em abril, 15,1% em maio e, em junho, 10,5%. Ou seja, o cenário melhorou, mas ainda não é dos melhores. “Sabemos que este é um reflexo do Move Brasil 2, com 76% do aumento dos emplacamentos creditados por caminhões pesados, que foram os mais prejudicados no ano passado com a alta dos juros e que representam mais da metade do mercado”, aponta Calvet.

Segmento de ônibus também cresce

No segmento de ônibus, o número de emplacamentos de junho foi de 2.191 unidades, um crescimento de 36,7% em relação ao resultado do mês anterior, que foi de 1.603, revelando um aumento que pode ser creditado pelos modelos do programa Caminho da Escola, iniciativa do governo federal para fomentar a compra de ônibus para o transporte de alunos em todo o Brasil.

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