O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino que determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões de bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. O dirigente partidário é suspeito de ter desviado a destinação de 21 emendas parlamentares mesmo sem exercer mandato eletivo.
Motta manifesta inconformismo com decisão judicial
Motta manifestou “inconformismo diante da indevida intervenção judicial no mérito de atividade típica do Parlamento”. Para o presidente da Casa, a decisão de Dino “não identifica desvio, abuso ou aplicação irregular de verbas públicas. Limita-se a inferições e a tentar criminalizar a atividade política”.
“Torna-se inaceitável, tendo em vista que a alocação das emendas está em plena conformidade com a moldura normativa vigente e com os compromissos institucionais firmados entre o Executivo e o Legislativo perante a própria Corte Constitucional”, afirmou.
Confiança nos servidores e normalidade administrativa
Motta disse registrar “confiança no trabalho de seus servidores”. “A autorização conferida pelos parlamentares para que as equipes que os assessoram operacionalizem as indicações segundo orientação da direção partidária insere-se na normalidade do funcionamento administrativo do mandato e não traduz qualquer irregularidade”, disse.
Investigação da Polícia Federal aponta desvio de emendas
Segundo a investigação da Polícia Federal, o dirigente do PL teria utilizado servidores da Câmara dos Deputados para direcionar a ele mesmo recursos herdados do orçamento secreto, caso revelado pelo Estadão em maio de 2021.
A defesa de Valdemar afirmou que a atuação dele, que não tem mandato como deputado ou senador, é “natural e legítima”. O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apontou atuação seletiva da PF.
Operação Transparência revela arranjo paralelo
A investigação da Polícia Federal na Operação Transparência, deflagrada em dezembro de 2025, aponta que Valdemar “contava com autonomia para direcionar recursos de emendas conforme sua cota pessoal e particular, atribuída a partir de sua condição de presidente da sigla”.
O direcionamento das emendas, segundo a PF, era operado por Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, ex-assessora do deputado federal e ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). Ela trabalhou no gabinete de Lira entre março de 2021 e o início de 2025, quando passou a atuar na liderança do Progressistas (PP) na Casa, partido do ex-presidente da Câmara.
Celular de Tuca aponta arranjo decisório paralelo
Principal alvo da Operação Transparência, Mariângela Fialek teve o aparelho celular analisado pela Polícia Federal, que constatou um “arranjo decisório paralelo” para a destinação de verbas públicas, no qual Valdemar aparece como responsável pela definição e pelo remanejamento de emendas.
Os advogados de Valdemar, Marcelo Bessa e Thiago Fleury, afirmaram que a decisão de Dino se baseia em “premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária”.



