Produção industrial cai 1,8% em junho e frustra mercado
Produção industrial cai 1,8% em junho; mercado frustrado

A produção industrial do Brasil recuou 1,8% em junho na comparação com maio, segundo dados divulgados nesta terça-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio bem abaixo das projeções do mercado, que esperavam uma alta de 0,5%, e interrompe uma sequência de dois meses de crescimento.

Queda generalizada entre setores

O recuo foi puxado principalmente pelas indústrias de bens de capital e bens de consumo duráveis, que registraram quedas de 3,2% e 4,1%, respectivamente. Também contribuíram para o resultado negativo os setores de bens intermediários (-1,4%) e bens de consumo semi e não duráveis (-0,7%).

Na comparação com junho do ano passado, a produção industrial também caiu, desta vez 1,6%, ante expectativa de alta de 1,2%. No acumulado do primeiro semestre, o setor acumula alta de 2,1%, mas o ritmo perdeu força nos últimos meses.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impacto na economia e na Selic

O dado reforça a percepção de desaceleração da atividade econômica no segundo trimestre, o que pode abrir espaço para o Banco Central reduzir a taxa Selic ainda neste ano. Atualmente, a taxa básica de juros está em 13,75% ao ano, e o mercado já precifica um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em setembro.

"A queda da produção industrial é mais um sinal de que a economia está perdendo fôlego. Isso deve pressionar o Copom a iniciar o ciclo de cortes de juros, mas é preciso cautela, pois a inflação ainda está acima da meta", avaliou o economista-chefe de uma corretora, que preferiu não ser identificado.

Perspectivas para o segundo semestre

Analistas consultados pelo InfoMoney acreditam que o resultado de junho pode ser um ponto de inflexão, mas não necessariamente o início de uma recessão. "A indústria ainda opera com capacidade ociosa, mas a demanda interna continua fraca. O cenário é desafiador para o segundo semestre", disse outro especialista.

Para o mercado, o dado de produção industrial é acompanhado de perto por ser um indicador antecedente do PIB. Se a tendência de queda se confirmar nos próximos meses, as projeções de crescimento para 2023 podem ser revistas para baixo, atualmente em torno de 2,3%.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar