Erva-mate conquista Geração Z e exportações batem recorde, mas produtores trocam Argentina por Brasil
Erva-mate conquista Geração Z; produtores deixam Argentina

A erva-mate, tradicionalmente consumida no chimarrão e no tereré, está conquistando a Geração Z nos Estados Unidos e na Europa como ingrediente de bebidas energéticas e coquetéis. O fenômeno impulsionou as exportações para níveis recordes, mas trouxe à tona um movimento de produtores que estão deixando a Argentina para se instalar no Brasil, em meio ao aperto fiscal promovido pelo governo de Javier Milei.

O boom da erva-mate entre a Geração Z

Marcas como Yerba Madre, Clean Cause e Drink Weird popularizaram a erva-mate como base para bebidas energéticas naturais e misturas para drinks. O sabor terroso e o efeito estimulante, sem os picos de cafeína do café, atraem jovens em busca de alternativas saudáveis. A cantora e empresária americana Madonna já foi fotografada com uma cuia, e o jogador Lionel Messi é um embaixador informal do chimarrão, o que ajudou a projetar a bebida globalmente.

Exportações batem recorde

Dados do setor indicam que as exportações brasileiras de erva-mate cresceram 35% no último ano, atingindo o maior volume da história. Os principais destinos são Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido. A demanda aquecida elevou os preços no mercado internacional, beneficiando grandes produtores, mas os pequenos agricultores argentinos enfrentam dificuldades.

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Produtores deixam a Argentina em direção ao Brasil

Com o fim da política de preço mínimo na Argentina, determinada pelo governo Milei como parte de um ajuste fiscal, os pequenos produtores de erva-mate perderam a garantia de renda. Muitos estão migrando para o Brasil, especialmente para os estados do Sul, onde o cultivo é incentivado por linhas de crédito e assistência técnica. Segundo a Associação dos Produtores de Erva-Mate da Argentina (APEMA), cerca de 20% das pequenas propriedades fecharam ou reduziram a produção nos últimos meses.

O fim da política de preço mínimo

A política de preço mínimo garantia um valor base para o quilo da erva-mate, protegendo os agricultores das oscilações do mercado. O governo Milei suspendeu o mecanismo para cortar gastos públicos, argumentando que a medida distorcia os preços e beneficiava apenas grandes corporações. Pequenos produtores, porém, reclamam de prejuízos e da falta de alternativas. "Sem o piso, não conseguimos cobrir os custos de produção", disse um agricultor da província de Missiones, que preferiu não se identificar.

O Brasil como alternativa

No Brasil, a erva-mate sempre teve forte presença na cultura do Sul, mas o cultivo comercial está se expandindo para novas áreas. O governo federal, por meio do Ministério da Agricultura, oferece subsídios e programas de modernização para a produção de erva-mate. Além disso, o clima e o solo de regiões como o Paraná e Santa Catarina são favoráveis. Empresas brasileiras já estão comprando terras na Argentina para transferir a produção para o lado brasileiro da fronteira.

Perspectivas para o setor

A tendência é que a produção mundial de erva-mate se concentre cada vez mais no Brasil, que já responde por 70% da oferta global. A demanda deve continuar crescendo, impulsionada pelo consumo entre os jovens e pela versatilidade da bebida. No entanto, a saída de produtores argentinos pode gerar um desabastecimento no mercado local de chimarrão, tradicional no país vizinho. Enquanto isso, a febre da erva-mate nos Estados Unidos e na Europa mostra que o produto deixou de ser apenas uma tradição regional para se tornar uma commodity global.

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