A mãe e o padrasto do pequeno Axel Guilherme, vítima fatal de agressões em maio de 2025, serão submetidos a júri popular. A decisão partiu da Justiça Estadual do Ceará. Ambos figuram como réus pela morte do menino, que tinha apenas 1 ano e seis meses de vida.
Detalhes do crime
O caso ocorreu no bairro Vicente Pinzón, em Fortaleza. As agressões aconteceram na madrugada de 3 de maio. O bebê foi levado ao Hospital Geral de Fortaleza (HGF) pelos próprios suspeitos: o padrasto Izaque de Sousa Alves, de 25 anos, e a mãe, Wanderleia Costa Damasceno, de 20 anos. Ambos foram presos ainda dentro da unidade hospitalar. O g1 não conseguiu localizar a defesa dos dois para comentar a decisão judicial.
Julgamento e acusações
Izaque e Wanderleia serão julgados por homicídio qualificado, com agravantes como motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. A condição de a vítima ter menos de 14 anos, qualificadora introduzida pela Lei Henry Borel, também foi considerada. Além disso, a Justiça pronunciou Wanderleia por omissão.
Lesões e causa da morte
Ao dar entrada no hospital, o menino apresentava hematomas por todo o corpo, fratura no crânio, hemorragia e estava em parada cardiorrespiratória. Ele faleceu no dia 6 de maio, após três dias internado. O laudo cadavérico apontou que a morte foi decorrente de traumatismo crânio encefálico produzido por lesões contundentes, com características de crueldade e indícios de tortura, devido ao intenso sofrimento por possível castigo ou intimidação.
Prisões e medidas cautelares
A prisão em flagrante de Izaque foi convertida em preventiva. Já Wanderleia foi solta mediante cumprimento de medidas cautelares, mas seu paradeiro atual é desconhecido. A Polícia Civil do Ceará indiciou Izaque por lesão corporal e maus-tratos com resultado morte, e Wanderleia por maus-tratos com resultado morte. O Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou ambos por homicídio qualificado e solicitou julgamento pelo Tribunal do Júri.
Versão do padrasto
Em depoimento, Izaque afirmou que estava com a mãe do menino há cerca de sete meses e que os três dormiam no mesmo cômodo. Na noite do crime, ele chegou em casa de madrugada e encontrou o menino acordado. Nervoso, bateu nas costas da criança e admitiu que a pancada "pode ter sido muito forte". Pouco depois, o bebê começou a vomitar, convulsionar e passar mal. O padrasto disse que a mãe não testemunhou as agressões porque estava lavando roupas. Sobre os hematomas, ambos alegaram que seriam provenientes de quedas. No entanto, testemunhas afirmaram que, desde o início do relacionamento, a criança aparecia constantemente com hematomas. Izaque admitiu que "já bateu no braço e em outras partes do corpo para que ele parasse de chorar".
Tentativas de guarda pelo pai
O pai biológico, Alex Eugênio, solicitou a tutela de urgência da criança em dezembro de 2024, alegando que ele e os avós paternos cuidavam do menino e prestavam apoio financeiro, mas a mãe tentava proibi-los de vê-lo e negligenciava os cuidados. O primeiro pedido foi negado em fevereiro de 2025, com audiência de conciliação marcada para abril. A mãe não compareceu, e um novo pedido de guarda foi feito, também negado. No dia 5 de maio, dois dias após a internação, o pai entrou com um terceiro pedido de urgência. No dia 7, o MPCE emitiu parecer favorável, mas a criança já havia morrido no dia 6. "A pessoa fica dilacerada. Ver seu filho entubado no leito é de cortar o coração", disse o pai à TV Verdes Mares. A advogada da família paterna, Gessica Maia, lamentou a demora: "O pai e os avós queriam oferecer amor e criar a criança em segurança, mas o sistema judiciário é lento. Infelizmente, o pior aconteceu". O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) afirmou que não houve demora, apenas a necessidade de seguir os trâmites legais, e que os pedidos iniciais não foram deferidos por falta de elementos suficientes de perigo.



