A Caixa Econômica Federal liberou o saque-calamidade do FGTS para os atingidos pelo temporal em Dumont (SP). A medida ocorre depois que ventos de até 160 km/h, registrados na madrugada de sexta-feira (24), deixaram destruição na região de Ribeirão Preto, segundo o governo de São Paulo.
Colapso na rede elétrica
A CPFL Energia informou que o colapso no fornecimento de energia foi causado principalmente pela queda de 34 torres de transmissão e pela quebra de ao menos 200 postes. No pico da falta de luz, Dumont teve 99,94% dos imóveis sem energia, Guariba 99,85%, Taquaritinga 68,94% e Ribeirão Preto 55,68%. Segundo a companhia, o serviço foi normalizado em todas as cidades nesta sexta-feira (31).
O temporal deixou uma morte, cidades em situação de emergência, imóveis destelhados, escolas e unidades de saúde afetadas, além de interrupções de água, energia, telefone e internet. Também foram registrados prejuízos no campo e na indústria. Uma semana depois, as prefeituras das quatro cidades ainda atualizavam os balanços dos danos.
Ribeirão Preto concentra ocorrências
Ribeirão Preto teve o maior volume absoluto de ocorrências e foi a única cidade com morte. Um homem morreu no Jardim Salgado Filho após uma estrutura vizinha ceder e atingir a casa onde ele estava. A prefeitura informou que 1.806 desalojados receberam atendimento da rede socioassistencial. No início, havia 12 desabrigados; na segunda-feira (27), o abrigo emergencial foi desmobilizado.
Na educação, 41 das 146 escolas municipais ficaram sem condições de atendimento. O número caiu para 26 ainda no fim de semana e, na quinta-feira (30), apenas a EEI Nagibe El Khouri Lian, no Ipiranga, seguia com aulas suspensas, após a queda de uma árvore de grande porte. Na saúde, a Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas e o Hospital Santa Lydia foram afetados; no Santa Lydia, uma árvore bloqueou o acesso, e o hospital operou com gerador.
A prefeitura estima mais de 500 árvores caídas. O Corpo de Bombeiros registrou mais de 250 ocorrências, e a Secretaria de Infraestrutura, mais de 300. A limpeza mobilizou mais de 300 colaboradores por dia. O prefeito Ricardo Silva (PSD) decretou situação de emergência por 180 dias. A primeira estimativa de prejuízo enviada ao governo federal é de R$ 21,15 milhões para ações de zeladoria urbana.
Dumont: quase todos os imóveis sem luz
Dumont, com 9.719 habitantes, segundo o IBGE, fica a 20 km de Ribeirão Preto. A cidade chegou a ter 99,94% dos imóveis sem energia. Nesta quinta-feira (30), 14 unidades consumidoras ainda estavam afetadas, conforme a CPFL. O abastecimento de água, segundo o prefeito Rogerson Ruiz, foi normalizado na segunda-feira (27), após problemas nos poços artesianos.
A prefeitura contabilizou cerca de 100 residências com danos graves, 48 desalojados e oito desabrigados. Foram distribuídos abrigo, água, cestas básicas, telhas, colchões, cobertores, roupas doadas e material de limpeza. As aulas foram suspensas na segunda-feira para avaliação dos prédios. O decreto de emergência, de 180 dias, cita ventos acima de 120 km/h por cerca de 10 minutos e já foi reconhecido nas esferas estadual e federal.
Guariba: granizo e unidades de saúde suspensas
Guariba, a 45 km de Ribeirão Preto, teve 99,85% dos imóveis sem luz no pico do temporal. Nesta quinta, 94 unidades seguiam afetadas. A prefeitura não confirmou a situação do abastecimento de água, mas houve relatos de casas destelhadas por vento e granizo. Os atendimentos nas UBSs foram suspensos até terça-feira (28) e retomados na quarta. As aulas foram adiadas para segunda-feira (3).
A prefeitura criou um canal provisório de WhatsApp para moradores informarem obstruções de vias, pelo número (16) 99730-7212. O município também decretou situação de emergência por 180 dias.
Taquaritinga: R$ 189 milhões em prejuízos
Taquaritinga, a 84 km de Ribeirão Preto, teve uma torre de alta tensão derrubada. A energia na área urbana foi restabelecida na segunda-feira (27), com normalização gradual na zona rural. No pico, 68,94% do fornecimento foi comprometido. A tempestade derrubou mais de 250 árvores, danificou 170 residências e destruiu 30.
O município chegou a acolher 45 pessoas em abrigo temporário; na quinta-feira (30), sete permaneciam no local. As aulas foram retomadas na quarta-feira (29) na maior parte da rede, mas quatro unidades seguem fechadas. As salas de vacinação voltaram a funcionar normalmente na quinta. A Defesa Civil estima R$ 31,39 milhões para reconstrução de estruturas públicas; com todos os prejuízos, o total chega a R$ 189,09 milhões, segundo o Fide. O decreto de emergência foi homologado pelos governos estadual e federal.



